segunda-feira, 17 de junho de 2013

MOCINHOS VERSUS ÍNDIOS



        Afirmam os historiadores, que quando os portugueses aportaram  em nossas terras, os habitantes aqui  encontrados, os índios, perfaziam uma população estimada em quatro milhões de nativos. Em 2010, o censo  diagnosticou a existência de novecentos mil  indígenas,  vivendo em tribos, nas áreas urbanas e em países vizinhos. Atualmente, lamentamos não haver políticas públicas  e investimentos voltados  aos mesmos. Tudo que existe é um verdadeiro “faz de conta”, deixando-os ao completo abandono; proveniente da omissão, cumplicidade e incompetência de quem devia protegê-los .Tanto é assim, que os suicídios continuam  sendo registrados entre os  jovens das florestas e, as drogas, males do mundo moderno, já se infiltraram nas aldeias. A exploração  predatória  de suas riquezas,  em todo o seu potencial, por pessoas e empresas inescrupulosas , como também, a dizimação da cultura de um povo, se concretizam há muitos anos; sem  existir ações eficazes para se debelar tal acinte.  Sem quaisquer  direitos, eles  vivem à margem da sociedade. Não são vistos, não são ouvidos  e,  agora,  perdem até o que lhes é intrínseco, no atendimento às suas necessidades básicas como ser humano,  ou seja, viverem no  seu próprio habitat, cultivar suas tradições e a envolvente cultura dos seus ancestrais; perpetuando-as  aos seus descendentes.    
       Os embates constantes  destes  guerreiros, se transformaram em verdadeira odisséia. Nos últimos cinco anos, duzentos e cinquenta  índios foram mortos  na região norte brasileira. O recente confronto acontecido numa reintegração de posses, em Sidrolândia, no  Mato Grosso do Sul, deixou de mais trágico, a morte do índio terena  Gabriel  Oziel, de 35 anos de idade , pai de  dois filhos menores.  O fato, foi amplamente divulgado nas redes sociais do exterior. A Fundação  Nacional do Índio (FUNAI) criticou  esta mesma ordem de reintegração, afirmando que  para o caso em tela, fora impetrado recurso no Tribunal Regional Federal  (TRF) e, que se encontrava em andamento. Segundo estudos, existem  no País, 212 áreas  rurais que  há décadas geram conflitos.  Enquanto isso, o poder da mídia, tal como antigamente, continua a direcionar questionamentos e  formar opiniões. Nos conflitos  anteriores e atuais, envolvendo ruralistas e  fazendeiros  contra os índios,  nota-se o  viés  intolerante  como os canais de comunicação trata os fatos, apresentando  sempre  os posseiros invasores como  os heróis destemidos e os indígenas  como os algozes das discórdias. Parece-nos recordar os filmes de cowboys do velho oeste americano, quando os soldados com seus uniformes  azul  e bege, em maior número e  munidos de melhores armamentos, trucidavam os comanches, mocainos e apaches. E, nós, inocentemente, aplaudíamos a carnificina. Enfim, observamos  que o Conselho Indígena Missionário (CIMI) , se transformou ,no  principal sustentáculo de apoio às causas dos povos  das tabas, os quais, tendem à extinção. É a constatação de que  o governamental slogan  “O Brasil é um País de todos”;  é um ledo engano !

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