domingo, 16 de dezembro de 2012

AGÊNCIAS DE NEGÓCIOS



     Uma das principais razões para a criação das agências  reguladoras , seria   fiscalizar a prestação de serviços públicos praticados pela iniciativa privada, buscando-se maior eficiência e eficácia no atendimento aos anseios da  população brasileira. As agências estão  ligadas ao poder público, têm funções definidas em lei, sendo responsáveis pela definição de regras e a devida fiscalização dos serviços essenciais aos governos nos âmbitos federal, estadual e municipal. Lamentavelmente, o que aparentava ser; não era e não é.
     Os resultados obtidos durante a operação “porto seguro”, realizada pela Polícia Federal, em diversos órgãos  da esfera federativa, nos mostra mais  um vergonhoso e continuado esquema de  corrupção, com a compra  e venda de pareceres técnicos , envolvendo servidores públicos de alto escalão, empresários, empresas particulares ,políticos e advogados. As ações,  tinham seu começar, quando particulares ofereciam propinas a funcionários, para agilizar e aprovar processos na esfera governamental, numa troca de favores  espúrios;  vindo a se constituir o início da linha de um  grande novelo, que se transformou   em nebulosa novela  ou intricado labirinto; onde e quando os faustos  dividendos  eram divididos.  Até o momento, estão relacionados  integrantes do Ministério de Educação e Cultura (MEC), Agência  Nacional de Aviação Civil (ANAC), Agência Nacional de Água (ANA), Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), Secretaria do Patrimônio da União (SPU), Advocacia  Geral da União (AGU) e a ex-chefe de Gabinete da Presidência da República, em São Paulo. Ela, considerada no inquérito  em andamento, como “o braço político da quadrilha”. Ao todo, dezoito pessoas  foram indiciadas nos crimes de  falsidade ideológica, tráfico de influência, corrupção ativa,  formação de quadrilha e corrupção passiva.  Com certeza, no caminhar das investigações, outros tentáculos virão à tona.
     Devemos atentar que os dirigentes gestores destes e de outros órgãos reguladores, são indicados politicamente e submetidos em sabatinas realizadas diante das Comissões do Senado, no propósito de avaliação dos conhecimentos técnicos e específicos dos então postulantes aos cargos. Pela relevância da questão, a  seriedade e a ética deveriam formar o arcabouço dessas reuniões inquisitórias;  porém, a  realidade constante, nos faz avaliar, que tais sabatinas avaliadoras  se restringiam  em   meras conversas informais entre amigos  ou em questionamentos de “cartas marcadas”.  Bastava  marcar o “x”. E, assim, começavam  os problemas. Ao serem aprovados pelos Senadores, cada gestor, ganhava longo período  de mandato  para se aboletar no seu  respectivo pote de ouro. Enquanto  os interesses do Governo ultrapassarem  os interesses do Estado, o País continuará  sendo um verdadeiro balcão de negociatas. Sem hipocrisia, sem pudor, sem castigo... e sem limites!

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