domingo, 2 de dezembro de 2012

A LENDA DE UM POLVO


      Era uma vez um polvo enorme, mas, muito medroso, que vivia com sua família num amplo  rio e cercado de bela natureza. As indolentes idas e vindas das espumas, o mudar de cores do rio e as imponentes árvores verdes, eram como ornamentos de um colorido quadro.  O polvo trabalhava horas e horas para poder sustentar seus filhotes, numa jornada por demais árdua.  Entretanto, existia uma tenebrosa floresta nas cercanias do rio, local, onde habitavam abutres, chacais, hienas, urubus, serpentes, lobos, ratos, ratazanas, raposas e, até morcegos; todos, ferozes e ávidos por encontrar um meio para trucidar o polvo.  Os animais mais poderosos moravam numa ilha denominada de “ilha da fantasia”, onde existia um lago.  Estes animais eram verdadeiros parasitas, pois, não trabalhavam, nem nada produziam; passavam  seus dias à sombra e água fresca.Embora nada  fizesse de útil, gozavam  de uma vida cheia de benesses e regalias, abocanhavam sempre o melhor bocado  e não tinham limites para privilegiar a si  próprios e aos seus  descendentes. Dizia-se caladamente, que os mesmos  possuíam  uma  colossal quantidade de ostras, recheadas de pérolas, escondidas no fundo do lago.  Era um lugar, onde o polvo, seus polvinhos e os  pequenos peixes , não podiam entrar. Ali, como se dizia poeticamente, “a vida era um manso lago azul...”
        Os peixes menores, rotulados  como “sem importância”, ganhavam   costumeiramente, bolsas com pequenas iscas , para  não morrer de fome e não reclamar  da vida vegetativa que lhe era oferecida. Contentavam-se  com o tão pouco ou quase nada,  repetindo seus dias, seus problemas e suas rotinas,  sempre à espera do amanhã.  Diariamente, dezenas  deles , morriam  por falta  de socorro ou pela violência  que rondava a floresta. Esta, antes, tão verde e tão segura; agora, tão suja e poluída.
       Por incrível que pareça, Lá, não havia lei nem justiça que protegesse o sofrido polvo.  Por saber que só a justiça traz a paz, o polvo sentia-se desamparado, tendo que fazer verdadeiras acrobacias com seus múltiplos braços, que serviam de refúgio e segurança para ele e sua prole; enquanto esperava ansiosamente quem o defendesse.  Diante de tal situação,  o polvo  se imaginava  co-responsável, por não reagir nem   demonstrar  qualquer gesto de indignação ao que acontecia.  Se contentava,  de nos  fins das semanas que  os animais dominantes, permitissem que o  ele  e os polvinhos brincassem de ser  mais felizes, tomando cerveja, ouvindo músicas de gosto duvidoso , dançando , nadando no piscinão ou assistindo futebol aquático. Quando anoitecia, a lua não mais tinha a companhia das estrelas, nem seus reflexos nas águas do caudaloso rio. Talvez, elas estivessem mortas ou apagadas pelo tempo. Restava ao polvo , desejar que  Neptuno, o deus dos mares, também fizesse valer os seus poderes  nos rios e lagos  e, transformasse,  o continuar desta estória.

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