domingo, 31 de março de 2013

OS SINAIS DA FUMAÇA



     A renúncia do papa Bento XVI, quando de sua abdicação , concretizou algo somente  acontecido nos anais da Igreja Católica Apostólica Romana, em  1415,por Gregório XII. Ele,  afirmou que a principal razão  derivava  de sua frágil  saúde , em decorrência da idade, a qual não lhe permitia continuar no leme do barco e conduzir seu  rebanho. Que durante seu pontificado, ultrapassou águas límpidas e tortuosas e, que estas, o fizeram perceber a necessidade de um novo timoneiro.  Ainda na condição de papa, em suas palavras, prometeu lealdade e obediência ao escolhido para  substituí-lo. A renúncia papal é ato jurídico previsto no Código de Direito Canônico da Igreja.  A escolha do sucessor se fazia mister e, os religiosos cardeais  votantes, reunidos na Capela Sistina,  no Vaticano, fizeram a escolha pelo nome do cardeal argentino  Mário Jorge Bergóglio,o agora  papa Francisco.  Este,  é o primeiro  sacerdote jesuíta e o primeiro latino-americano a ocupar tão sublime cargo  e seus encargos. Conhecido como defensor dos dogmas da doutrina Católica  como também, contrário ao aborto, ao casamento homossexual , a eutanásia e as injustiças sociais que se destacam pelo mundo; principalmente na América Latina e na África. País como o Brasil, onde o abismo entre ricos, pobres e miseráveis cada vez mais se aprofunda, deve envergonhar  o santo padre.
      O novo líder espiritual para um bilhão e quinhentos milhões de católicos, espalhados pelos continentes, enfrentará inúmeros desafios e, entre eles, como abraçará a corrente dos sacerdotes e  fiéis que são adeptos da Teologia da Libertação, pela qual, Francisco  ainda não  demonstrou  significativo apreço.
        A fumaça  branca que se fez avistar no segundo dia do conclave, se encontra revestida de ímpar simbolismo, aglutinando renovadas esperanças ao catolicismo. Os questionamentos que ora são ouvidos, podem ser respondidos com possíveis mudanças a alguns conceitos que nos parecem medievais. Por certo, tais  respostas exigem  profunda reflexão, sobretudo, pelo paralelismo  do papel relevante da fé; que vai muito além do simples acreditar. Se torna indispensável a reabertura de portas àqueles e àquelas que se mantém afastados  de Cristo, na procura salvadora e no acolhimento  das ovelhas perdidas. Outrossim, envidar  esforços para fortalecer as pastorais , os movimentos religiosos e os leigos devotos, alicerces  integrantes de uma  Igreja   viva e atuante. A  fumaça branca nos traz a mensagem de que a cruz de Jesus deve repousar por instantes nos ombros de cada um, fazendo-nos caminhar com Cristo e sentirmos responsáveis pela transformação que há de vir. Mesmo sendo levada pelos ventos, a fumaça permanece a repousar  sobre a praça de São Pedro,  numa indicação imperativa de que não poderemos olvidá-la. Que o pontificado Fransciscano  se volte aos carentes e aos injustiçados,  na divina afirmação proferida no Sermão da montanha: De que eles  serão os Bem- Aventurados !

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