segunda-feira, 8 de abril de 2013

CIDADES SEM IDADES



       Nos idos tempos, Alagoas apresentava  municípios possuidores de raras belezas naturais e atrativos variados; estivessem eles encravados no sertão,  na zona praieira ou no agreste. Ao amanhecer, o sol brindava a todos. Logo, as ruas  estavam tomadas por estudantes, trabalhadores  e amigos que se encontravam , trocavam cumprimentos e iniciavam  alegre conversada. À tardinha, as  senhoras  costureiras de bilros manuseavam o ofício nos alpendres das casas;  crianças a vender sequilhos, tapioca, fruta-pão, doces caseiros, mungunzá e pé de moleque; enquanto as jovens normalistas,  após as aulas, vestidas com saias de plissê, traziam especial beleza ao lugar. Ao acender  das luzes,  nas noites quase sempre de luar, o ônibus que chegava da “cidade grande”, vizinhos em conversas “tempo a dentro” nas calçadas, as crianças que brincam de “manja ou de esconder”,os coqueiros que balançam ao vento , iluminados pelo encanto  da lua. Aos sábados, domingos e feriados, as cidades se engalanavam na expectativa do prélio de futebol no campinho de várzea, as matinês do único cinema ali existente, as tocatas da banda de fanfarra no coreto central e os   inesquecíveis  “bailes” no clube municipal, local,onde brotavam os namoros e futuros casamentos. Mesmo  modestas,  as cidades se apresentavam bem cuidadas, com suas escolas, grupos escolares , praças e prédios públicos bem asseados. Os nativos sentiam indisfarçável orgulho de onde moravam e  dos seus conterrâneos ilustres.  Nos carnavais,  a orquestra de frevo trazia a alegria aos foliões, com seus passistas empunhando sombrinhas multicores. Durante o mês de maio, as procissões que veneravam Maria, a nossa Mãe Rainha, enquanto as rezadeiras   continuavam em preces na igrejinha.Nas festas de São João, as comilanças do sabor do milho, as bandeirolas  que ornamentavam ruas, becos e vielas, à  espera  dos visitantes  que faziam multiplicar a população durante os folguedos, na alegria das  fogueiras, balões ao céu e  as  apresentações das quadrilhas juninas, assistidas sob aplausos de todos. O natal nos oferecia o pastoril, o guerreiro, o coco de roda,  a chegança , roda gigante, tiro ao alvo, correr de barco,a  pescaria e o amigo oculto. Todo esse descrever, se repetia continuadamente,  lapidando cenários  que se apresentavam numa paz que hoje nos parece utópica.  Mas, o que aconteceu com tudo isso?        
      Atualmente,  até cidades que se incorporaram a fatos da História do Brasil,  tais como Marechal Deodoro, Penedo, União dos Palmares, Porto Calvo,  Delmiro Gouveia, Pilar; entre outras,   não têm mais  histórias. Vivem apenas  um pálido presente, sem passado e sem futuro. As violências urbana e rural, as drogas, o desemprego, a favelização  das moradias,  a luta diária  pela sobrevivência, onde poucos têm muito e muitos têm pouco ou quase nada; deixaram  marcas de tristeza nas faces de cada homem e cada mulher. Nossas raízes tendem ao esquecimento, transformando-nos num povo sem  origem ou identidade !

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