Nos idos tempos, Alagoas apresentava municípios possuidores de raras belezas
naturais e atrativos variados; estivessem eles encravados no sertão, na zona praieira ou no agreste. Ao amanhecer,
o sol brindava a todos. Logo, as ruas
estavam tomadas por estudantes, trabalhadores e amigos que se encontravam , trocavam
cumprimentos e iniciavam alegre
conversada. À tardinha, as senhoras costureiras de bilros manuseavam o ofício nos
alpendres das casas; crianças a vender
sequilhos, tapioca, fruta-pão, doces caseiros, mungunzá e pé de moleque;
enquanto as jovens normalistas, após as
aulas, vestidas com saias de plissê, traziam especial beleza ao lugar. Ao
acender das luzes, nas noites quase sempre de luar, o ônibus que
chegava da “cidade grande”, vizinhos em conversas “tempo a dentro” nas
calçadas, as crianças que brincam de “manja ou de esconder”,os coqueiros que
balançam ao vento , iluminados pelo encanto
da lua. Aos sábados, domingos e feriados, as cidades se engalanavam na
expectativa do prélio de futebol no campinho de várzea, as matinês do único
cinema ali existente, as tocatas da banda de fanfarra no coreto central e os inesquecíveis “bailes” no clube municipal, local,onde
brotavam os namoros e futuros casamentos. Mesmo modestas,
as cidades se apresentavam bem cuidadas, com suas escolas, grupos
escolares , praças e prédios públicos bem asseados. Os nativos sentiam
indisfarçável orgulho de onde moravam e dos seus conterrâneos ilustres. Nos carnavais, a orquestra de frevo trazia a alegria aos
foliões, com seus passistas empunhando sombrinhas multicores. Durante o mês de
maio, as procissões que veneravam Maria, a nossa Mãe Rainha, enquanto as
rezadeiras continuavam em preces na
igrejinha.Nas festas de São João, as comilanças do sabor do milho, as
bandeirolas que ornamentavam ruas, becos
e vielas, à espera dos visitantes que faziam multiplicar a população durante os
folguedos, na alegria das fogueiras,
balões ao céu e as apresentações das quadrilhas juninas,
assistidas sob aplausos de todos. O natal nos oferecia o pastoril, o guerreiro,
o coco de roda, a chegança , roda
gigante, tiro ao alvo, correr de barco,a pescaria e o amigo oculto. Todo esse descrever,
se repetia continuadamente, lapidando cenários que se apresentavam numa paz que hoje nos
parece utópica. Mas, o que aconteceu com
tudo isso?
Atualmente, até cidades que se incorporaram a fatos da
História do Brasil, tais como Marechal Deodoro,
Penedo, União dos Palmares, Porto Calvo,
Delmiro Gouveia, Pilar; entre outras, não têm mais histórias. Vivem apenas um pálido presente, sem passado e sem futuro.
As violências urbana e rural, as drogas, o desemprego, a favelização das moradias, a luta diária
pela sobrevivência, onde poucos têm muito e muitos têm pouco ou quase
nada; deixaram marcas de tristeza nas faces
de cada homem e cada mulher. Nossas raízes tendem ao esquecimento,
transformando-nos num povo sem origem ou
identidade !
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