domingo, 21 de setembro de 2014

A VITRINE DOS MISERÁVEIS



                                         A  VITRINE  DOS  MISERÁVEIS
         De acordo com a Lei 13.305 /2010, emanada pelo Governo Federal, todos os municípios brasileiros deveriam  solucionar , de maneira eficaz, o grave problema dos lixões a céu aberto.  Mesmo já transcorridos quatro anos após sua publicação, a grande maioria dos governos municipais ignoraram tal determinação e, perpetuam  a contaminação do meio ambiente.  No Brasil, diariamente,  os lixões recebem mais de 126 mil toneladas de resíduos . Porém,  mais da metade tem destinação inadequada, sem  qualquer tratamento ou procedimentos que evitem as consequências  negativas nos aspectos sociais e ambientais. A decomposição dos resíduos gera o chorume (líquido  escuro  que   escorre do lixo)  que penetra  pela terra, levando substâncias contaminantes para o solo e o lençol freático, podendo trazer prejuízos irreversíveis à sociedade.
        O que esses  lixões  nos mostram, são milhares de crianças, jovens , adultos e idosos,  buscando entre urubus, pássaros, moscas, baratas, escorpiões, ratos, cães e cavalos , restos de alimentos,muito embora,  o  alimento se mostre inadequado para o consumo humano. Em algumas oportunidades,  homens e mulheres se digladiam entre si, na disputa por roupas , calçados e eletrodomésticos usados  ou velhos, mas que ainda lhes serão de serventia. Frequentemente, pelo exercício do trabalho a que são submetidos , contraem os  mais variados tipos de doenças. O contato manual  com materiais perigosos, tais como, baterias de veículos e celulares, embalagens de produtos químicos, corrosivos e tóxicos, além da exposição  ao desenvolvimento das larvas dos mosquitos da dengue e da leishmaniose, os transformam em potenciais vítimas. Em outras oportunidades, são feridos por vidros, pregos, arames ou demais objetos ali encontrados;  para dias depois, morrerem por falta de assistência médica. Não há dignidade para quem trabalha nos lixões.
       Mesmo vegetando  diariamente entre os animais, os catadores de lixo temem que o fim dos lixões a céu aberto  tirem sua única fonte de renda, geradora de sua própria  sobrevivência  e a  de  seus familiares;  pois é dali que  eles retiram e vendem  latinhas, plásticos e papelão, que lhes possam trazer minguados tostões.
       Alguns prefeitos alegam que o tempo oferecido foi demais curto (!) para promover as mudanças necessárias; enquanto outros, com a  mesma  desfaçatez, explicam que a falta de recursos financeiros  motivou a omissão para o cumprimento da determinação em tela. Na verdade, esses gestores, com raríssimas exceções, primam pela incompetência administrativa e pela falta de compromisso com seus  respectivos munícipes.  Eles são sabedores da certeza da impunidade futura  e que, os conchavos políticos, por certo, os acobertarão. Por outro lado, ressalvamos aqueles que, em respeito às normas impostas, colocaram em prática os aterros sanitários ou centrais  para tratamento de resíduos ,beneficiando a natureza e a saúde do ambiente coletivo. Teimamos em acreditar que, um dia , não mais daremos exemplos tão degradantes para o mundo !
                                                               Marcelo Ronadson Costa
                                                                  Coronel  PMAL da R/R
                                                                     Membro da   A.A.I.                                      

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