domingo, 3 de fevereiro de 2013

O MARTELO E OS TIJOLOS



   O desabamento do Edifício Liberdade  ceifou a vida de dezessete  pessoas, além de outras cinco, ainda não encontradas. O fato foi registrado no ano passado, na Avenida 13 de maio, na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro. O trabalho de reforma naquela construção, é considerado o fator principal da cauda da tragédia..Tal reforma, foi realizada  por dias, à vista de todas  as pessoas que trabalhavam ou adentravam ao local. E, como sempre acontece, a omissão das autoridades e a falta de fiscalização dos órgãos públicos, contribuíram de forma acentuada para  a tragédia. O tempo passou e outros acontecimentos fatais se sucederam, motivados por idênticas  cumplicidades. Após um ano do ocorrido,  as investigações ainda não chegaram ao término e  nenhuma indenização foi paga aos familiares dos mortos ou desaparecidos, o que não é surpresa, pois os culpados  têm a certeza  que jamais serão alcançados pelas leis deste País tropical.   Mesmo assim,  O Ministério Público carioca (MP/RJ)  foi ágil (!) no seu parecer, denunciando seis pessoas como  principais  responsáveis; dentre estas, quatro pedreiros  que trabalharam na fatídica obra. Não sabemos como seus atos  estão  sendo capitulados dentro do Código Penal;  seja imprudência, negligência, imperícia, culpa consciente ou dolo eventual ..Muito embora a decisão final venha a ser tomada por um juiz singular, nada será  diferente se os mesmos forem levados ao  tribunal do júri.  A condenação, já nos parece antecipada.  Se assim for,  tudo se assemelha ao  padrão dos antigos romances policiais, ou seja, o mordomo era sempre o  culpado dos  crimes.
   Numa imaginação futurística, parece-nos visualizar  os atordoados  réus, numa sala do tribunal, que pelo inusitado do que enfrentam, também não  entendem os “Data Vênia” e o linguajar jurídico que ali impera . Até o silêncio momentâneo  é angustiante e amedrontador.  Agora, os réus estão de pé, à espera da leitura da sentença final.  O veredicto de “Culpados” ecoa e parece se propalar  em ecos pelo ambiente. Daí, o  martelo , de fabricação do mais puro  mogno, se abate impiedosamente sobre os quatro indefesos e fracos tijolos; esfacelando-os. Logo, São algemados  e  levados às masmorras ; num desfecho igual a tantos outros. No  mesmo instante , o martelo se retira garbosamente do recinto.
   Do mais ilustre ao mais anônimo dos brasileiros, todos nós, temos  a interior convicção  de  que os pesados fardos  recaem  sobre  ombros humildes,mesmo para quem não tenha a culpabilidade de carregá-los.   Pisotear os capachos, desdenhar  daqueles que cumprem ordens ou  ignorar os que nada tem ; são atributos  de quem  tudo tem. Portanto, o martelo continuará  se abatendo sobre  os diversos tipos de tijolos; numa luta desigual e desumana. Precisamos reconstruir o Brasil. Devemos lembrar que, qualquer construção eleva os tijolos do chão até o teto.  

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