O desabamento do Edifício Liberdade ceifou a vida de dezessete pessoas, além de outras cinco, ainda não
encontradas. O fato foi registrado no ano passado, na Avenida 13 de maio, na
cidade maravilhosa do Rio de Janeiro. O trabalho de reforma naquela construção,
é considerado o fator principal da cauda da tragédia..Tal reforma, foi
realizada por dias, à vista de todas as pessoas que trabalhavam ou adentravam ao
local. E, como sempre acontece, a omissão das autoridades e a falta de
fiscalização dos órgãos públicos, contribuíram de forma acentuada para a tragédia. O tempo passou e outros
acontecimentos fatais se sucederam, motivados por idênticas cumplicidades. Após um ano do ocorrido, as investigações ainda não chegaram ao
término e nenhuma indenização foi paga
aos familiares dos mortos ou desaparecidos, o que não é surpresa, pois os
culpados têm a certeza que jamais serão alcançados pelas leis deste
País tropical. Mesmo assim,
O Ministério Público carioca (MP/RJ)
foi ágil (!) no seu parecer, denunciando seis pessoas como principais responsáveis; dentre estas, quatro
pedreiros que trabalharam na fatídica
obra. Não sabemos como seus atos estão sendo capitulados dentro do Código Penal; seja imprudência, negligência, imperícia,
culpa consciente ou dolo eventual ..Muito embora a decisão final venha a ser
tomada por um juiz singular, nada será diferente se os mesmos forem levados ao tribunal do júri. A condenação, já nos parece antecipada. Se assim for, tudo se assemelha ao padrão dos antigos romances policiais, ou
seja, o mordomo era sempre o culpado
dos crimes.
Numa
imaginação futurística, parece-nos visualizar
os atordoados réus, numa sala do
tribunal, que pelo inusitado do que enfrentam, também não entendem os “Data Vênia” e o linguajar
jurídico que ali impera . Até o silêncio momentâneo é angustiante e amedrontador. Agora, os réus estão de pé, à espera da
leitura da sentença final. O veredicto
de “Culpados” ecoa e parece se propalar
em ecos pelo ambiente. Daí, o martelo , de fabricação do mais puro mogno, se abate impiedosamente sobre os quatro
indefesos e fracos tijolos; esfacelando-os. Logo, São algemados e levados
às masmorras ; num desfecho igual a tantos outros. No mesmo instante , o martelo se retira
garbosamente do recinto.
Do mais ilustre ao mais anônimo dos brasileiros,
todos nós, temos a interior
convicção de que os pesados fardos recaem
sobre ombros humildes,mesmo para
quem não tenha a culpabilidade de carregá-los. Pisotear os capachos, desdenhar daqueles que cumprem ordens ou ignorar os que nada tem ; são atributos de quem tudo tem. Portanto, o martelo continuará se abatendo sobre os diversos tipos de tijolos; numa luta
desigual e desumana. Precisamos reconstruir o Brasil. Devemos lembrar que,
qualquer construção eleva os tijolos do chão até o teto.
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