domingo, 15 de setembro de 2013

O CIRCO DO MENSALÃO



      A sociedade brasileira, em sua maioria, formada por homens e mulheres probos, deve se sentir enojada e envergonhada pelas palhaçadas diárias que acontecem no circo do processo do mensalão. Causa-nos asco, perceber, como brasileiros e brasileiras são tão  desiguais perante os preceitos da nossa Constituição. Como sabemos, os maquiavélicos truques do mensalão, na compra e venda de consciências torpes, envolvem  políticos, empresários, publicitários, funcionários públicos,banqueiros e demais  componentes da trupe.  A quadrilha, à época, era organizada pelo chefe da casa civil da Presidência da República e pelo presidente do  Partido dos Trabalhadores, atuando na compra de votos e de apoio político dos partidos da base aliada ao governo, numa cumplicidade aos mais depravados atos de corrupção que seriam concretizados posteriormente.  O vergonhoso “comércio” era realizado dentro do Congresso Nacional, com o aval escamoteado do Palácio  do Planalto. Após  a descoberta  da tramóia  e intensas investigações, a Procuradoria Geral da República, no ano de 2005, ofereceu denúncias contra  os malabaristas; englobando quase quarenta integrantes, que mais se assemelhavam a uma tropa  mambembe. O  Supremo Tribunal  Federal (STF) ,após   vários meses e intensos blá, blá, blá e datas vênias, procedeu ao julgamento de tais nocivas ações e explicitou as punições individualmente impostas aos acusados. Porém,  os mágicos que, durante tanto tempo fizeram desaparecer dólares e reais , como num passe de ilusionismo,  se acobertaram sob a lona jurídica e  nos ludibriaram;  ao percebermos que as  penas  proferidas  pelos julgadores, não mais faziam parte da realidade. O espetáculo fora cancelado. Que pena, as penas voaram pelos ares.
     Agora, mais uma vez, temos o STF dando sua parcela de contribuição às apresentações circenses que  ora se desenrolam , quando sob os holofotes, prolonga o pomposo picadeiro, numa cantilena monótona e enfadonha. O circo voltou a ser armado. Nele, estão reunidos  novos figurantes , que em reuniões, sessões, conversas, monólogos, diálogos e  contorcionismos verbais, levam o riso aos espectadores. Hoje tem espetáculo, tem sim senhor... é a estréia  da famosa peça cômica  “embargos infringentes”. Talvez, o respeitável público não a entenda e prefira observar as peripécias dos anões éticos, contorcionistas, acrobatas e  artistas dos trapézios. Tal comédia, se resume em acatar os recursos dos defensores dos condenados, reduzindo os castigos já impostos e, até mesmo, absolver todos ou parte do elenco.  A platéia, com gritos, vaias e protestos, anseia pela apresentação do domador de leões que, ao perceber o desejo dos espectadores, brandirá seu chicote, colocando cada fera em sua respectiva cadeia. E, então, receberá o aplauso final. Logo depois, o locutor agradecerá a presença de todos, renovando o convite para outras noites de emoções.
     Que terminem a farsa circense. Cerrem as coloridas cortinas. Retirem suas máscaras. Apaguem as luzes e fechem as portas. Nesse enredo, os palhaços somos nós!

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