A sociedade brasileira, em sua
maioria, formada por homens e mulheres probos, deve se sentir enojada e
envergonhada pelas palhaçadas diárias que acontecem no circo do processo do
mensalão. Causa-nos asco, perceber, como brasileiros e brasileiras são tão desiguais perante os preceitos da nossa
Constituição. Como sabemos, os maquiavélicos truques do mensalão, na compra e
venda de consciências torpes, envolvem políticos, empresários, publicitários,
funcionários públicos,banqueiros e demais
componentes da trupe. A
quadrilha, à época, era organizada pelo chefe da casa civil da Presidência da República
e pelo presidente do Partido dos Trabalhadores,
atuando na compra de votos e de apoio político dos partidos da base aliada ao
governo, numa cumplicidade aos mais depravados atos de corrupção que seriam
concretizados posteriormente. O
vergonhoso “comércio” era realizado dentro do Congresso Nacional, com o aval
escamoteado do Palácio do Planalto. Após
a descoberta da tramóia
e intensas investigações, a Procuradoria Geral da República, no ano de
2005, ofereceu denúncias contra os
malabaristas; englobando quase quarenta integrantes, que mais se assemelhavam a
uma tropa mambembe. O Supremo Tribunal Federal (STF) ,após vários meses e intensos blá, blá, blá e
datas vênias, procedeu ao julgamento de tais nocivas ações e explicitou as
punições individualmente impostas aos acusados. Porém, os mágicos que, durante tanto tempo fizeram desaparecer
dólares e reais , como num passe de ilusionismo, se acobertaram sob a lona jurídica e nos ludibriaram; ao percebermos que as penas
proferidas pelos julgadores, não
mais faziam parte da realidade. O espetáculo fora cancelado. Que pena, as penas
voaram pelos ares.
Agora, mais uma vez, temos o STF dando sua
parcela de contribuição às apresentações circenses que ora se desenrolam , quando sob os holofotes,
prolonga o pomposo picadeiro, numa cantilena monótona e enfadonha. O circo
voltou a ser armado. Nele, estão reunidos
novos figurantes , que em reuniões, sessões, conversas, monólogos,
diálogos e contorcionismos verbais,
levam o riso aos espectadores. Hoje tem espetáculo, tem sim senhor... é a
estréia da famosa peça cômica “embargos infringentes”. Talvez, o respeitável
público não a entenda e prefira observar as peripécias dos anões éticos,
contorcionistas, acrobatas e artistas
dos trapézios. Tal comédia, se resume em acatar os recursos dos defensores dos
condenados, reduzindo os castigos já impostos e, até mesmo, absolver todos ou
parte do elenco. A platéia, com gritos,
vaias e protestos, anseia pela apresentação do domador de leões que, ao
perceber o desejo dos espectadores, brandirá seu chicote, colocando cada fera
em sua respectiva cadeia. E, então, receberá o aplauso final. Logo depois, o
locutor agradecerá a presença de todos, renovando o convite para outras noites
de emoções.
Que terminem a farsa circense. Cerrem as
coloridas cortinas. Retirem suas máscaras. Apaguem as luzes e fechem as portas.
Nesse enredo, os palhaços somos nós!
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