A VITRINE
DOS MISERÁVEIS
De acordo com
a Lei 13.305 /2010, emanada pelo Governo Federal, todos os municípios
brasileiros deveriam solucionar , de
maneira eficaz, o grave problema dos lixões a céu aberto. Mesmo já transcorridos quatro anos após sua
publicação, a grande maioria dos governos municipais ignoraram tal determinação
e, perpetuam a contaminação do meio
ambiente. No Brasil, diariamente, os lixões recebem mais de 126 mil toneladas
de resíduos . Porém, mais da metade tem
destinação inadequada, sem qualquer
tratamento ou procedimentos que evitem as consequências negativas nos aspectos sociais e ambientais.
A decomposição dos resíduos gera o chorume (líquido escuro que escorre
do lixo) que penetra pela terra, levando substâncias contaminantes
para o solo e o lençol freático, podendo trazer prejuízos irreversíveis à
sociedade.
O que
esses lixões nos mostram, são milhares de crianças, jovens
, adultos e idosos, buscando entre
urubus, pássaros, moscas, baratas, escorpiões, ratos, cães e cavalos , restos
de alimentos,muito embora, o alimento se mostre inadequado para o consumo
humano. Em algumas oportunidades, homens
e mulheres se digladiam entre si, na disputa por roupas , calçados e
eletrodomésticos usados ou velhos, mas
que ainda lhes serão de serventia. Frequentemente, pelo exercício do trabalho a
que são submetidos , contraem os mais
variados tipos de doenças. O contato manual
com materiais perigosos, tais como, baterias de veículos e celulares,
embalagens de produtos químicos, corrosivos e tóxicos, além da exposição ao desenvolvimento das larvas dos mosquitos da
dengue e da leishmaniose, os transformam em potenciais vítimas. Em outras
oportunidades, são feridos por vidros, pregos, arames ou demais objetos ali
encontrados; para dias depois, morrerem
por falta de assistência médica. Não há dignidade para quem trabalha nos
lixões.
Mesmo
vegetando diariamente entre os animais,
os catadores de lixo temem que o fim dos lixões a céu aberto tirem sua única fonte de renda, geradora de
sua própria sobrevivência e a de seus familiares; pois é dali que eles retiram e vendem latinhas, plásticos e papelão, que lhes possam
trazer minguados tostões.
Alguns prefeitos alegam que o tempo
oferecido foi demais curto (!) para promover as mudanças necessárias; enquanto
outros, com a mesma desfaçatez, explicam que a falta de recursos
financeiros motivou a omissão para o
cumprimento da determinação em tela. Na verdade, esses gestores, com raríssimas
exceções, primam pela incompetência administrativa e pela falta de compromisso
com seus respectivos munícipes. Eles são sabedores da certeza da impunidade
futura e que, os conchavos políticos,
por certo, os acobertarão. Por outro lado, ressalvamos aqueles que, em respeito
às normas impostas, colocaram em prática os aterros sanitários ou centrais para tratamento de resíduos ,beneficiando a
natureza e a saúde do ambiente coletivo. Teimamos em acreditar que, um dia ,
não mais daremos exemplos tão degradantes para o mundo !
Marcelo
Ronadson Costa
Coronel PMAL da R/R
Membro da A.A.I.
Coronel PMAL da R/R
Membro da A.A.I.