quinta-feira, 19 de março de 2015

as asas da mosca



                                         AS  ASAS  DA  MOSCA
      O fato registrado na cidade de Três Passos, no Rio Grande do Sul, que motivou o assassinato do menino Bernardo, de apenas 11 anos de idade, demonstra como as crianças continuam indefesas e ignoradas pelo poder público do nosso País; qualquer que seja a sua gradação. O pai do garoto, a madrasta e uma amiga desta, são apontados como responsáveis pela premeditação e execução do insano  crime;assim como pela ocultação cadáver, enterrado numa cova rasa ,em um matagal. A ida do menino Bernardo, meses  antes, ao Juizado e  ao Ministério Público, em busca de auxílio, torna o caso em tela, em algo muito singular. Em ambas as Instituições,  ele relatou  os sofrimentos  impostos por seu pai e sua madrasta. Porém, não foi atendido em seus anseios. Façamos agora,  conjetura sobre o que pode ter ocorrido, após o menor  Bernardo deixar  as Instituições onde fora  clamar ajuda : O Juiz e o Promotor,  ao tomarem conhecimento  da queixa , através dos seus respectivos assessores,  telefonam   para o médico, pai de Bernardo e  narram os lamentos da criança. Após  algumas palavras, os  telefonemas se encerram  com  mútuos elogios e as palavras “Ótimo final de semana ou até outro dia”.Nada foi investigado. Tudo tão comum e corriqueiro aos nossos tempos.  Como resultado, após algum tempo, a tragédia  se concretiza. Como simbologia ao acontecido, imaginemos  que, se capturarmos um inseto voador,  arrancarmos suas asas e o colocarmos ao chão, observaremos que o mesmo começará a mexer-se tentando novo vôo. Porém, nota que lhe faltam  asas. Então, seus movimentos tornam-se cada vez mais lentos. Em  seguida, imobiliza-se, passa por um processo de intensa agonia e ...  morre.
        Foi desse modo, gradativo e irresponsável, que procederam  com  o jovem vitimado.  O mesmo ficou só e ilhado por um mar de negligências, incompetências e omissões.  Sua voz  não foi ouvida ; suas lágrimas não foram vistas e seus passos foram inúteis. Foi o início de um triste final. Destarte,    uma união de cumplicidade  entrelaçando  os Órgãos e pessoas responsáveis(?) pela  salvaguarda e aplicação da Lei; ao termos notícias  que os  maus tratos  e o tratar mal eram do conhecimento dos habitantes da  pequena Cidade.  
        Agora, os engravatados prevaricadores, sentados em suas confortáveis poltronas e aboletados nos seus  atapetados  escritórios, tentam explicar o injustificável. Todos nós, como sociedade, temos o dever e o direito de exigir um Poder Judiciário íntegro em sua coletividade e ilibado em sua individualidade. Constrange-nos  verificar que, de algum tempo, a  exceção  se torna a  regra. Sabemos que esse não é o primeiro, nem será o último registro de tal natureza. Mas, se impõe que outros “Bernardos”, ora  vivendo sem existir  ou espalhados pelas vielas do submundo, como  párias da sociedade; sejam  resgatados à condição humana. Negar  o referido  preceito,  inato a cada um deles, é violentar a nossa  Carta  constitucional . E, a mesma, não  merece ser tão ultrajada  !
                                           Marcelo Ronaldson Costa
                                            Coronel  PMAL da R/R
                                             Membro da   A.A.I.                                      
                                                                                           


     

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