AS ASAS DA
MOSCA
O fato
registrado na cidade de Três Passos, no Rio Grande do Sul, que motivou o
assassinato do menino Bernardo, de apenas 11 anos de idade, demonstra como as
crianças continuam indefesas e ignoradas pelo poder público do nosso País;
qualquer que seja a sua gradação. O pai do garoto, a madrasta e uma amiga
desta, são apontados como responsáveis pela premeditação e execução do insano crime;assim como pela ocultação cadáver, enterrado
numa cova rasa ,em um matagal. A ida do menino Bernardo, meses antes, ao Juizado e ao Ministério Público, em busca de auxílio,
torna o caso em tela, em algo muito singular. Em ambas as Instituições, ele relatou
os sofrimentos impostos por seu
pai e sua madrasta. Porém, não foi atendido em seus anseios. Façamos
agora, conjetura sobre o que pode ter
ocorrido, após o menor Bernardo
deixar as Instituições onde fora clamar ajuda : O Juiz e o Promotor, ao tomarem conhecimento da queixa , através dos seus respectivos
assessores, telefonam para o médico, pai de Bernardo e narram os lamentos da criança. Após algumas palavras, os telefonemas se encerram com
mútuos elogios e as palavras “Ótimo final de semana ou até outro dia”.Nada
foi investigado. Tudo tão comum e corriqueiro aos nossos tempos. Como resultado, após algum tempo, a tragédia se concretiza. Como simbologia ao acontecido,
imaginemos que, se capturarmos um inseto
voador, arrancarmos suas asas e o
colocarmos ao chão, observaremos que o mesmo começará a mexer-se tentando novo
vôo. Porém, nota que lhe faltam asas. Então,
seus movimentos tornam-se cada vez mais lentos. Em seguida, imobiliza-se, passa por um processo
de intensa agonia e ... morre.
Foi desse modo,
gradativo e irresponsável, que procederam com o
jovem vitimado. O mesmo ficou só e
ilhado por um mar de negligências, incompetências e omissões. Sua voz
não foi ouvida ; suas lágrimas não foram vistas e seus passos foram
inúteis. Foi o início de um triste final. Destarte, há uma
união de cumplicidade entrelaçando os Órgãos e pessoas responsáveis(?) pela salvaguarda e aplicação da Lei; ao termos
notícias que os maus tratos e o tratar mal eram do conhecimento dos
habitantes da pequena Cidade.
Agora, os
engravatados prevaricadores, sentados em suas confortáveis poltronas e
aboletados nos seus atapetados escritórios, tentam explicar o
injustificável. Todos nós, como sociedade, temos o dever e o direito de exigir
um Poder Judiciário íntegro em sua coletividade e ilibado em sua
individualidade. Constrange-nos
verificar que, de algum tempo, a exceção
se torna a regra. Sabemos que
esse não é o primeiro, nem será o último registro de tal natureza. Mas, se
impõe que outros “Bernardos”, ora vivendo sem existir ou espalhados pelas vielas do submundo,
como párias da sociedade; sejam resgatados à condição humana. Negar o referido
preceito, inato a cada um deles,
é violentar a nossa Carta constitucional . E, a mesma, não merece ser tão ultrajada !
Marcelo Ronaldson Costa
Coronel PMAL da R/R
Membro da A.A.I.
Coronel PMAL da R/R
Membro da A.A.I.
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