O TERMÔMETRO
DA CIVILIDADE
Desde os
primórdios da modernidade, se apregoa que, “ A Polícia Militar é o termômetro
que mede a civilização de um povo”. Assim, quanto mais violento for esse povo, mais violenta será a Polícia que o
representa. Tal raciocínio, se revela nas pesquisas realizadas pela Anistia
Internacional e pela Human Rights Watch (HRW), envolvendo a Polícia Militar do
estado de São Paulo. As referidas instituições atestam que um número superior a
mil pessoas foram mortas em confrontos com a Corporação paulista durante o ano
de 2014. São três vítimas por dias, ou seja, uma morte a cada oito horas. Outro
dado ainda explicitado nas análises, é o quantitativo de doze mil mortes entre
o mês de janeiro de 2009 a dezembro de 2013. Geralmente, a maioria dos combates
é registrada nas periferias das cidades, quando jovens de 13 a 25 anos de idade, perecem no
desabrochar da vida. São meninos e
meninas, sem instrução, desempregados, cooptados pelo tráfico e pela
prostituição, autores e atores da permanente barbárie humana que ali se faz
presente de modo ininterrupto. Em nível
nacional, a “Síndrome da violência
urbana” já se instalou entre nós. E, com certeza, a Polícia Militar não é
origem nem causa do estágio que ora convivemos; nem tampouco, pela sensação de
insegurança que rodeia cada brasileiro, brasileira ou aqueles que residem em
nosso País. Torna-se imprescindível, um olhar mais atento ao amplo sistema de
proteção social. Vejamos um exemplo por demais usual: Uma rua mal iluminada ou
escura, propícia aos malfeitos dos marginais, se transforma numa questão de
segurança pública ( e que logo exigirá a ação da PM); motivada por omissão do
órgão afeto à iluminação de logradouros.
Foi durante
os anos 70 que, percebemos a evolução do
crime organizado, com a semente do”jogo do bicho” se aliando a outras
atividades ilegais; trampolim para uma temida casta de homens poderosos.Era a
oportunidade para a devida aplicação da Lei das Contravenções Penais .Porém, nada
foi feito.O tempo passou e, Jamais foi
posta em prática uma política de segurança pública, restando apenas medidas
paliativas ou ineficientes, que serviram de combustão ao aumento da
marginalidade.Entendemos que as Corporações PM devem ser moldadas numa nova
estrutura, ao tempo em que seus cursos e treinamento sejam revistos;o aumento
dos seus efetivos; a aquisição e uso de modernos equipamentos e
armamentos; valorização profissional dos
que integram suas fileiras e, entre outras, a punição que se exige contra o
Policial Militar fora da Lei. A auto-estima, o amor próprio e as condições
morais dos filhos deste chão, estão por um fio. Urge ações sociais e coativas,
para que sejam debelados ou minimizados os fatores propulsores da crescente
violência. O que fazer e como fazer? -
perguntas que não admitem “achismos”,
mas,compilação de dados, exames e estudos do comportamento humano; na busca de respostas objetivas ao assunto. Destarte, devemos
lembrar que, o nosso atual Status
beligerante, deriva dos problemas conjunturais que há anos nos desafiam. E, não
tivemos a coragem de enfrentá-los!
Marcelo Ronaldson Costa
Coronel PMAL R/R
Coronel PMAL R/R
Membro da
A.A.I.
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