quinta-feira, 19 de março de 2015

o termômetro da civilidade



            O  TERMÔMETRO  DA  CIVILIDADE
           Desde os primórdios da modernidade, se apregoa que, “ A Polícia Militar é o termômetro que mede a civilização de um povo”. Assim, quanto mais violento for esse  povo, mais violenta será a Polícia que o representa. Tal raciocínio, se revela nas pesquisas realizadas pela Anistia Internacional e pela Human Rights Watch (HRW), envolvendo a Polícia Militar do estado de São Paulo. As referidas instituições atestam que um número superior a mil pessoas foram mortas em confrontos com a Corporação paulista durante o ano de 2014. São três vítimas por dias, ou seja, uma morte a cada oito horas. Outro dado ainda explicitado nas análises, é o quantitativo de doze mil mortes entre o mês de janeiro de 2009 a dezembro de 2013. Geralmente, a maioria dos combates é registrada nas periferias das cidades, quando  jovens de 13 a 25 anos de idade, perecem no desabrochar da vida. São  meninos e meninas, sem instrução, desempregados, cooptados pelo tráfico e pela prostituição, autores e atores da permanente barbárie humana que ali se faz presente de modo ininterrupto.  Em nível nacional, a  “Síndrome da violência urbana” já se instalou entre nós. E, com certeza, a Polícia Militar não é origem nem causa do estágio que ora convivemos; nem tampouco, pela sensação de insegurança que rodeia cada brasileiro, brasileira ou aqueles que residem em nosso País. Torna-se imprescindível, um olhar mais atento ao amplo sistema de proteção social. Vejamos um exemplo por demais usual: Uma rua mal iluminada ou escura, propícia aos malfeitos dos marginais, se transforma numa questão de segurança pública ( e que logo exigirá a ação da PM); motivada por omissão do órgão afeto à iluminação de logradouros.
          Foi durante os  anos 70 que, percebemos a evolução do crime organizado, com a semente do”jogo do bicho” se aliando a outras atividades ilegais; trampolim para uma temida casta de homens poderosos.Era a oportunidade para a devida aplicação da Lei das Contravenções Penais .Porém, nada foi feito.O tempo passou e, Jamais  foi posta em prática uma política de segurança pública, restando apenas medidas paliativas ou ineficientes, que serviram de combustão ao aumento da marginalidade.Entendemos que as Corporações PM devem ser moldadas numa nova estrutura, ao tempo em que seus cursos e treinamento sejam revistos;o aumento dos seus efetivos; a aquisição e uso de modernos equipamentos e armamentos;  valorização profissional dos que integram suas fileiras e, entre outras, a punição que se exige contra o Policial Militar fora da Lei. A auto-estima, o amor próprio e as condições morais dos filhos deste chão, estão por um fio. Urge ações sociais e coativas, para que sejam debelados ou minimizados os fatores propulsores da crescente violência.  O que fazer e como fazer? - perguntas  que não admitem “achismos”, mas,compilação de dados, exames e estudos do comportamento humano; na busca de respostas  objetivas ao assunto. Destarte, devemos lembrar que, o nosso  atual Status beligerante, deriva dos problemas conjunturais que há anos nos desafiam. E, não tivemos a coragem de enfrentá-los!        
                                                               Marcelo Ronaldson Costa                                                                                                                                                                                       
                                                                   Coronel   PMAL    R/R
                                                                    Membro  da   A.A.I.

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