O 15 !
Em alusão ao título da imortal obra da escritora
Rachel de Queiroz, no qual, dramas humanos se sucedem durante a
seca de 1915 e, que fora tão inclemente
em nossa região nordestina. Agora, repousamos os pensamentos às cores verde e amarela
(também o azul e branco)que coloriram e se estenderam por todo o País; no último
domingo. Pacificamente, o povo
demonstrou em alto grau de civismo, a revolta íntima e ainda contida. Foi uma manifestação de imenso valor simbólico
e, principalmente, de alerta. As ruas e avenidas se tornaram pequenas para as
boas vindas aos milhões de brasileiros que se ombrearam num propósito : a defesa da Pátria. Crianças (porque sim), jovens , adultos, avós e netos,
mães e filhos,casais e amigos se irmanaram num coro de gestos e vozes. As
aclamações de aplausos vinham dos inúmeros moradores dos edifícios e de pessoas
que ali se postavam ; em apoio explícito. O brado que
se estendia e se avolumava , predizia renovação de esperanças. Vimos abraços
renovados, olhares que faziam traduzir o
amanhã e sorrisos em prenúncios de
mudanças. Quer sob o sol escaldante ou acentuada chuva, os
manifestantes rumaram com passos firmes,
tal a convicção para onde devemos
caminhar. O canto do Hino Nacional foi momento ímpar. Ele, trazia a reflexão do
“Ser brasileiro” com muito orgulho e com muito amor. Foi deixar fluir o natural
ufanismo à Bandeira Nacional e ao solo
que nos viu nascer.
Como rastilho,
os mesmos sentimentos se fizeram presentes nos brasileiros que residem ,
estudam ou trabalham nos Estados Unidos , Europa e demais continentes.
As faixas
conduzidas, transmitiam o sentimento
coletivo. Entre elas, algumas pediam o retorno dos quartéis ao poder central.
Imaginamos que, no objetivo de urgente intervenção constitucional, para convocação de novas eleições. Assim, não há o desejo da figura de “golpe de Estado” ao
chamamento das Forças Armadas. Porém, é prova inconteste do
inconformismo cada vez mais latente. Agora,
a mídia internacional conhece melhor o Brasil.
Assim, basta de falácias, mentiras e jogo de
palavras. Ao tentar contradizer números acerca do quantitativo de pessoas que protestaram nessa ou naquela Cidade, o diálogo se torna
vazio ,tortuoso e sem importância. A constância de sofismar, só tende a crescer
o nariz daquela ou daquele tão useiro
deste e de outros métodos não democráticos.Devemos aperceber que a paciência tem limites que a mesma impõe.
Tal qual o 15
de novembro de l889, data da Proclamação da nossa República, foi a crise na Monarquia que serviu de estopim para a consumação do
ato; sob a liderança de Marechal Deodoro. Meses Antes, a classe média,
jornalistas, profissionais liberais, funcionários públicos, estudantes e
comerciantes exigiram melhor participação nos assuntos políticos do
País. Como também, as críticas
proferidas pelo Exército, por não aceitar a corrupção existente na Corte. Ontem
como hoje, são perpétuas as semelhanças entre as crises. Por ora, o cerne das
manifestações foi o magno acontecimento
que se concretizou aos olhos do mundo. Calar aos anseios dessas vozes, pode
motivar a ebulição chegar ao imaginável . O 15 de março se insere como nova
data histórica.
Marcelo Ronaldson Costa
Coronel PMAL R/R
Coronel PMAL R/R
Membro da
A.A.I.
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