quinta-feira, 19 de março de 2015

O 15 !



                               O   15  !
          Em  alusão ao título da imortal obra da escritora  Rachel de Queiroz,  no qual, dramas humanos se sucedem durante a seca de 1915 e, que  fora tão inclemente em nossa  região nordestina. Agora,  repousamos  os pensamentos às cores verde e amarela (também o azul e branco)que  coloriram e  se estenderam por todo o País; no último domingo.  Pacificamente, o povo demonstrou em alto grau de civismo, a revolta íntima e ainda contida.  Foi uma manifestação de imenso valor simbólico e, principalmente, de alerta. As ruas e avenidas se tornaram pequenas para as boas vindas aos milhões de brasileiros que se ombrearam num  propósito : a defesa da Pátria. Crianças  (porque sim), jovens , adultos, avós e netos, mães e filhos,casais e amigos se irmanaram num coro de gestos e vozes. As aclamações de aplausos vinham dos inúmeros moradores dos edifícios e de pessoas que ali se postavam ; em apoio explícito. O  brado que  se estendia e se avolumava , predizia renovação de esperanças. Vimos abraços renovados, olhares que  faziam traduzir o amanhã e sorrisos em prenúncios  de mudanças. Quer  sob  o sol escaldante ou acentuada chuva, os manifestantes rumaram com  passos firmes, tal a convicção  para onde devemos caminhar. O canto do Hino Nacional foi momento ímpar. Ele, trazia a reflexão do “Ser brasileiro” com muito orgulho e com muito amor. Foi deixar fluir o natural ufanismo  à Bandeira Nacional  e ao solo  que nos viu nascer.
       Como rastilho, os mesmos sentimentos se fizeram presentes nos brasileiros que residem , estudam ou trabalham nos Estados Unidos , Europa e demais continentes.
       As faixas conduzidas,  transmitiam o sentimento coletivo. Entre elas, algumas pediam o retorno dos quartéis ao poder central. Imaginamos que, no objetivo de urgente  intervenção constitucional,  para convocação  de novas eleições. Assim, não  há o desejo da figura de “golpe de Estado” ao chamamento  das Forças  Armadas. Porém, é prova inconteste do inconformismo cada vez mais latente.  Agora, a mídia internacional conhece melhor o Brasil.
      Assim, basta de falácias, mentiras e jogo de palavras. Ao tentar contradizer números  acerca  do quantitativo de pessoas que protestaram  nessa ou naquela Cidade, o diálogo se torna vazio ,tortuoso e sem importância. A constância de sofismar, só tende a crescer o nariz daquela ou daquele  tão useiro deste e de outros métodos não democráticos.Devemos aperceber que a  paciência tem limites que a mesma impõe.
        Tal qual o 15 de novembro de l889, data da Proclamação da nossa República, foi a crise na   Monarquia  que serviu de estopim para a consumação do ato; sob a liderança de Marechal Deodoro. Meses Antes, a classe média, jornalistas, profissionais liberais, funcionários públicos, estudantes e comerciantes  exigiram  melhor participação nos assuntos políticos do País. Como também,  as críticas proferidas pelo Exército, por não aceitar a corrupção existente na Corte. Ontem como hoje, são perpétuas as semelhanças  entre as crises. Por ora, o cerne das manifestações  foi o magno acontecimento que se concretizou aos olhos do mundo. Calar aos anseios dessas vozes, pode motivar a ebulição chegar ao imaginável . O 15 de março se insere como nova data histórica.

                                                                Marcelo Ronaldson Costa
                                                                   Coronel   PMAL    R/R
                                                                    Membro  da   A.A.I.

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