quinta-feira, 19 de março de 2015

histórias de antigamente



HISTÒRIAS  DE  ANTIGAMENTE 
                  No último dia 12 do corrente mês, comemoramos festivamente o “Dia das crianças”.
 Ao ensejo,  voltamos nossa tela  mental ao doce passado, transportando-nos com  saudosa alegria, aos momentos  vividos. Alguns deles, apenas passaram; outros ,foram  transformados no contínuo aprendizado que ora desfrutamos. A vida nos  oferecia  o correr livre e solto, em  permanente contato com  a natureza , ao percebermos que o verde e o  cinza eram cores distintas. Quem teve sua infância e juventude perto do mar, relembra a beleza do oceano se encontrando ao longe com o céu azul. Os pescadores que, antes do nascer do sol, faziam deslizar suas canoas, jogando suas redes,  remando sobre suaves ondas   e com as velas balançando ao querer dos ventos.A alva  areia fina da praia e os coqueirais, completavam a magia de um quadro  digno de qualquer  pintor clássico.Ao começo da tarde, os peixes trazidos em samburás , eram  mais tarde, servidos em  deliciosa  peixada, combinada com a ardida pimenta queimando os beiços. Quem viveu no sertão ou no agreste, traz à mente,  a figura dos vaqueiros . Eles,  com chapéu de couro e “tabica” nas mão, tangendo  o  gado com vozes  indolentes. O calor era tanto, que “o sol tinindo” parecia procurar sombras para se abrigar. As chuvas não vinham  e os juritis iam embora. Era a seca a secar o solo já tão seco. Mas, com o passar dos dias, perfumadas e coloridas flores ornamentavam os campos. Não esquecer   o tempo da oferta  abundante das mais variadas frutas.          
              O respeito aos pais se demonstrava no “dar a benção”  no  acordar , no canto da Ave Maria, às 18 horas e, ao deitar.Aos idosos, a  merecida obediência aos conselhos recebidos. No Grupo Escolar, salas  de meninos ou de meninas. À tarde, o desfile das normalistas vestidas com saias de plissê, era colírio para os olhos da rapaziada. A palmatória era o terror de todos.
              Nos fins de semanas, as feiras livres com o vai e vem de  pessoas ,carros, carroças e animais; o comprar e  o vender. O café matinal servido  ali mesmo nas “toldas;  composto de galinha ao molho pardo,  charque, tripa, cuscuz, macaxeira, inhame, tapioca, beiju, caldo de cana com pão doce, batata  e muita farinha; além do algodão doce e os picolés coloridos.
              Ah! As  tardes de brincadeiras de “Manja, de esconder, pião, chimbra, avião,times de botão, arraia, o jogo de bola, mocinho e bandido, pai Francisco, estátua, anel e  o brincar de cozinhado”; entre tantas.Aos domingos, o caminho da igreja  para o encontro com Jesus. Os adultos vestiam suas melhores roupas para tão esperado instante. As beatas chegavam primeiro, enquanto “alguns de nós” éramos conduzidos por fortes mãos. O anoitecer  se iniciava com a chegada do velho ônibus (conhecido como SOPA),trazendo parentes , amigos e, por vezes, visitantes. Depois, o passear dos  namorados,dos solitários  e  encontros  no coreto da pracinha. O mercado municipal se transformava em cinema, quando a parede  branca era a tela  para o  filme a ser exibido; em  agradável lazer. Os senhores  e senhoras  estendiam  esteiras sobre as calçadas, para as “conversas tempo a dentro”com os amigos.As horas passam  e as ruas começam a ficar desertas. Logo, as luzes se apagam e candeeiros  acendidos, para iluminar  modestas  casas e casebres  feitos  de taipa. Eis que  vem  o silêncio. Ruas vazias. Madrugada. Assim, o nosso  ontem , é o presente na vida de inúmeras crianças de hoje !
             
                                                                             Marcelo Ronaldson Costa
                                                                              Coronel  PMAL da R/R
                                                                                  Membro da   A.A.I.                                      

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