HISTÒRIAS DE ANTIGAMENTE
No
último dia 12 do corrente mês, comemoramos festivamente o “Dia das crianças”.
Ao ensejo, voltamos nossa tela mental ao doce passado, transportando-nos com
saudosa alegria, aos momentos vividos. Alguns deles, apenas passaram;
outros ,foram transformados no contínuo
aprendizado que ora desfrutamos. A vida nos oferecia o correr livre e solto, em permanente contato com a natureza , ao percebermos que o verde e o cinza eram cores distintas. Quem teve sua
infância e juventude perto do mar, relembra a beleza do oceano se encontrando
ao longe com o céu azul. Os pescadores que, antes do nascer do sol, faziam
deslizar suas canoas, jogando suas redes,
remando sobre suaves ondas e com
as velas balançando ao querer dos ventos.A alva areia fina da praia e os coqueirais,
completavam a magia de um quadro digno
de qualquer pintor clássico.Ao começo da
tarde, os peixes trazidos em samburás , eram
mais tarde, servidos em deliciosa
peixada, combinada com a ardida pimenta
queimando os beiços. Quem viveu no sertão ou no agreste, traz à mente, a figura dos vaqueiros . Eles, com chapéu de couro e “tabica” nas mão, tangendo o gado
com vozes indolentes. O calor era tanto,
que “o sol tinindo” parecia procurar sombras para se abrigar. As chuvas não
vinham e os juritis iam embora. Era a seca
a secar o solo já tão seco. Mas, com o passar dos dias, perfumadas e coloridas
flores ornamentavam os campos. Não esquecer
o tempo da oferta abundante das
mais variadas frutas.
O
respeito aos pais se demonstrava no “dar a benção” no acordar , no canto da Ave Maria, às 18 horas
e, ao deitar.Aos idosos, a merecida
obediência aos conselhos recebidos. No Grupo Escolar, salas de meninos ou de meninas. À tarde, o desfile
das normalistas vestidas com saias de plissê, era colírio para os olhos da
rapaziada. A palmatória era o terror de todos.
Nos fins
de semanas, as feiras livres com o vai e vem de pessoas ,carros, carroças e animais; o comprar
e o vender. O café matinal servido ali mesmo nas “toldas; composto de galinha ao molho pardo, charque, tripa, cuscuz, macaxeira, inhame,
tapioca, beiju, caldo de cana com pão doce, batata e muita farinha; além do algodão doce e os
picolés coloridos.
Ah! As tardes de brincadeiras de “Manja, de esconder,
pião, chimbra, avião,times de botão, arraia, o jogo de bola, mocinho e bandido,
pai Francisco, estátua, anel e o brincar
de cozinhado”; entre tantas.Aos domingos, o caminho da igreja para o encontro com Jesus. Os adultos vestiam
suas melhores roupas para tão esperado instante. As beatas chegavam primeiro,
enquanto “alguns de nós” éramos conduzidos por fortes mãos. O anoitecer se iniciava com a chegada do velho ônibus
(conhecido como SOPA),trazendo parentes , amigos e, por vezes, visitantes.
Depois, o passear dos namorados,dos solitários e encontros
no coreto da pracinha. O mercado municipal se transformava em cinema,
quando a parede branca era a tela para o filme a ser exibido; em agradável lazer. Os senhores e senhoras estendiam esteiras sobre as calçadas, para as “conversas
tempo a dentro”com os amigos.As horas passam
e as ruas começam a ficar desertas. Logo, as luzes se apagam e
candeeiros acendidos, para iluminar modestas
casas e casebres feitos de taipa. Eis que vem o
silêncio. Ruas vazias. Madrugada. Assim, o nosso ontem , é o presente na vida de inúmeras
crianças de hoje !
Marcelo
Ronaldson Costa
Coronel PMAL da R/R
Membro da A.A.I.
Coronel PMAL da R/R
Membro da A.A.I.
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