RETRATOS NA
PAREDE
Num passado,
quiçá distante, o cidadão que aspirava
exercer cargo público ou função de destaque entre seus pares, era
reconhecido pelos demais como detentor
de admirável conduta ética. Nem sempre era dos mais letrados ou possuidor de invejável conta bancária.
Assim, tínhamos também , admiração por
nossos governantes e o respeito se fazia
existir entre todos. Ao mesmo tempo, sempre vigilante, a sociedade permanecia atenta ao sobrevir e a tudo
que se desenrolava ao seu derredor. Bons tempos do pretérito, quando a
escola era sinônimo do saber e de conhecimentos e o hospital sanava as
dores físicas e dava alento a alma;
dentre outros serviços prestados. Às vezes, convenhamos, não tão bem; nem tão
mal. Ao procurarmos as repartições governamentais, o tratar cordial se
manifestava na dignidade com que éramos
atendidos. O que aconteceu a tudo isso e
quais as explicações do País se encontrar em processo de ruínas e se apequenando diante
do mundo ? – São perguntas que nos fazemos. Para tantos, talvez, não sejam
difíceis buscarem os motivos ou as razões.
Urge que nos apercebamos do grassar da
inversão dos valores morais e religiosos, fundamentais pilares para o soerguimento de uma sólida Nação.
Hoje,
qualquer “Fulano ou beltrano” pode se transformar numa autoridade constituída.
Em face dos artifícios postos em prática, para consecução do que se pretende; o título mais lhe assenta como uma alcunha. Não
há aplausos. Não há mérito. Não há honra. Quisera conhecer a varinha de condão
que operou tão imaginável mágica. O
passar dos anos, nos ensinam que as
autoridades públicas se tornaram cada vez menos públicas. O poder
em seu gosto embriagante, turva a
visão e bloqueia a audição daqueles que
não estão preparados para exercê-lo. Atualmente, constatamos o imenso
fosso que separa os anseios do povo e
dos poderosos. E o vazio tende a tomar
novas dimensões. Enquanto os nababos privilegiarem seus interesses pessoais ou de grupos,
aviltando o clamor coletivo, continuaremos na utopia.E, enquanto nós, como sociedade, permanecermos
passivamente assistindo a banda passar;
o Brasil emergente (?) nunca emergirá e, continuará mergulhado no lodo da
putrefação. Não temos ídolos e não temos
heróis. Os verbetes “Nacionalismo e ser
patriota”, nos ensinados na infância, jamais
constaram dos vocábulos daqueles que
traem a Terra onde nasceram e pisoteam seus
símbolos.
Ao término dos caminhos tortuosos que
escolheram, apenas uma foto, amarelada
pelo tempo, pendurada em um canto qualquer. Tudo se traduz, na clara assertiva da genialidade imortal do
nacionalista Rui Barbosa; quando profetizou :”De tanto ver
triunfar as nulidades... De tanto ver crescer a injustiça ...De tanto
ver agigantarem-se os Poderes nas mãos
maus ...” . São Palavras que ecoam e permanecem tão atuais. Lamentavelmente,
meu caro Rui, também temos vergonha de nós !
Marcelo Ronaldson Costa
Coronel PMAL da R/R
Membro da A.A.I.
Coronel PMAL da R/R
Membro da A.A.I.
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