quinta-feira, 19 de março de 2015

retratos na parede



              RETRATOS  NA  PAREDE
         Num passado, quiçá  distante, o cidadão que aspirava exercer  cargo público  ou função de destaque entre seus pares, era reconhecido pelos demais como detentor       de admirável conduta ética. Nem sempre era dos mais letrados  ou possuidor de invejável conta bancária. Assim, tínhamos  também , admiração por nossos  governantes e o respeito se fazia existir entre  todos. Ao mesmo  tempo, sempre vigilante, a sociedade  permanecia atenta ao sobrevir  e a tudo  que se desenrolava ao seu derredor. Bons tempos do pretérito, quando a escola era sinônimo do saber e de conhecimentos e o hospital sanava as dores  físicas e dava alento a alma; dentre outros serviços prestados. Às vezes, convenhamos, não tão bem; nem tão mal. Ao procurarmos as repartições governamentais, o tratar cordial se manifestava  na dignidade com que éramos atendidos.  O que aconteceu a tudo isso e quais as explicações do País se  encontrar  em processo de ruínas e se apequenando diante do mundo ? – São perguntas que nos fazemos. Para tantos, talvez, não sejam difíceis buscarem  os motivos  ou  as razões. Urge que nos  apercebamos do grassar da inversão dos valores morais e religiosos, fundamentais pilares  para o soerguimento de uma sólida Nação.
          Hoje, qualquer “Fulano ou beltrano” pode se transformar numa autoridade constituída. Em face dos artifícios postos em prática, para consecução do que se pretende;  o título mais lhe assenta como uma alcunha. Não há aplausos. Não há mérito. Não há honra. Quisera conhecer a varinha de condão que operou tão imaginável  mágica. O passar dos anos,  nos ensinam que as autoridades públicas se tornaram cada vez menos públicas.  O poder  em seu gosto embriagante,  turva a visão e bloqueia  a audição daqueles que não estão preparados para exercê-lo. Atualmente, constatamos o imenso fosso  que separa os anseios do povo e dos poderosos.  E o vazio tende a tomar novas dimensões.  Enquanto  os nababos  privilegiarem  seus interesses pessoais ou de grupos, aviltando o clamor coletivo, continuaremos na utopia.E,  enquanto nós, como sociedade, permanecermos passivamente  assistindo a banda passar; o Brasil emergente (?) nunca emergirá e, continuará mergulhado no lodo da putrefação. Não temos ídolos e  não temos heróis. Os verbetes  “Nacionalismo e ser patriota”, nos ensinados na infância,  jamais constaram dos vocábulos  daqueles que traem a Terra onde nasceram e pisoteam  seus  símbolos.
           Ao término dos caminhos tortuosos que escolheram, apenas uma foto, amarelada  pelo tempo, pendurada em um canto qualquer. Tudo se traduz, na  clara assertiva da genialidade imortal do nacionalista Rui Barbosa; quando profetizou :”De tanto  ver  triunfar as nulidades... De tanto ver crescer a injustiça ...De tanto ver  agigantarem-se os Poderes nas mãos maus  ...” .  São Palavras que  ecoam e permanecem tão atuais. Lamentavelmente, meu caro Rui, também  temos vergonha  de nós !                                                                                    


                                                               Marcelo Ronaldson Costa
                                                                 Coronel  PMAL da R/R
                                                                   Membro da   A.A.I.                                      

Nenhum comentário:

Postar um comentário