terça-feira, 5 de agosto de 2014

OS SETE GOLS DA VOLKS

       A Copa do Mundo de futebol, disputada em nosso País, nos trouxe uma amarga realidade, ou seja, o futebol se nivelou por baixo. As trinta e duas seleções participantes nos apresentaram jogos enfadonhos e, por vezes, sonolentos. Durante os noventa minutos, as jogadas se sucediam em lances previsíveis , com trocas de passes miúdos e sem objetividade para o gol adversário; salvo honrosas exceções. Os números dos tentos marcados , se deve mais à fragilidade das defesas do que propriamente aos ataques avassaladores das equipes. Chegamos a observar, quando um jogador atacante, de posse da bola após a linha do meio de campo e, ao se sentir cercado pelos defensores contrários, atrasar a pelota para o seu próprio goleiro. Então, inicia-se tudo de novo; outra vez e novamente. Teimo em imaginar que, algum treinador da modalidade do antigo futebol de salão (atualmente, futsal), em alguma parte do mundo, tenha introduzido o esquema tático da modalidade ,para o futebol de campo. Os esquemas adotados, antes distintos, agora se assemelham. Transformou-se num jogo de paciência. Perdeu a maestria de nos maravilhar. Comentar mais precisamente acerca da nossa seleção (!), lamentamos os espetáculos ridículos, em vexames consecutivos e vencendo as partidas após tamanha dramaticidade. Assim, as dúvidas começaram a nos rondar, na mesma proporção que temíamos o insucesso que se avizinhava . Em cada prélio, a apresentação ridícula. Pode ser que o colorido dos estádios e a emoção de se encontrar sentado nas arquibancadas, tenham o poder de oferecer ao torcedor instantes de uma beleza ilusória. A realidade era bem diferente.
       Comentar os acontecimentos do jogo contra a seleção da Alemanha, é desnecessário. Milhões de opiniões já foram emitidas , em dissertações objetivas , destrutivas ou nos “achismos” subjetivos. Porém, tecer criticas após as derrotas é mais fácil para os oportunistas de plantão.Mesmo no menor espaço de tempo que a irracionalidade nos permite, jamais sonharíamos tal pesadelo. A derrota foi simplesmente humilhante. Lamentamos que os jogadores que participaram dessa fatídica campanha esportiva, carreguem consigo o estigma da maior goleada sofrida pelo escrete verde e amarelo. Eles não são os únicos culpados. E os principais, onde se esconderam...?. Nunca é demais ressaltar as Copas futebolísticas de 1958,1962 e a de 1970, no México, onde nos sagramos tri campeões mundiais. Foram espetáculos esportivos reunindo atletas possuidores de acentuado nível técnico, com esmero trato com a pelota, toques sutis, dribles maravilhosos, tabelinhas e jogadas que chegavam à perfeição. O coroamento no momento sublime que vinha com o gol marcado.Equipes formadas por verdadeiros craques e autênticos patriotas; em lutas renhidas pelas cores do nosso Brasil. O nosso Hino à Bandeira, traz: ”Sobre a imensa Nação Brasileira,nos momentos de festa ou de dor, paira sempre a sagrada Bandeira...Querido símbolo da Terra, da amada Terra do Brasil “. Procuremos ressurgir das cinzas !

PALMAS PARA AS PALMADAS

       Originária do Projeto de lei 7672/2010 e, após quatro anos de enfadonhos debates, ocupantes do Congresso Nacional aprovaram a famigerada “Lei da Palmada”. Esta, traz em seu bojo : “ A criança e o adolescente têm direito de serem educados sem castigos físicos que provoquem dor ou lesão, nem tratamento cruel ou degradante, que ocorre quando o pai ameaça ou humilha o filho “. A presente Lei, foi elaborada e colocada na vitrine apenas como palanque político eleitoreiro, estando recheada de critérios subjetivos e nada acrescentando à legislação existente. Talvez, seja a única resposta que nossos representantes encontraram para solucionar os fatos absurdos que se registram DIARIAMENTE contra as crianças e os adolescentes em solo nacional. A Constituição Federal , que não é cumprida, e o Estatuto da Criança e do adolescente (ECA), que na realidade se tornou letras mortas; já tratam do assunto. Ao nominá-la de “lei do menino Bernardo”, numa alusão ao menor recentemente assassinado pelo próprio pai e a madrasta, o Poder Legislativo e o Governo se acumpliciam ao querer igualar palmadas corretivas com crimes brutais. Tal comparação, é de um absurdo grotesco. Não devemos esquecer que foi a omissão de um juiz e do conselho titular que concorreu para o desfecho do crime em questão; entre tantos outros acontecidos. A Lei da Palmada visa penalizar os pais ou responsáveis quanto ao modo de educar seus pimpolhos. É o Estado adentrando numa esfera que não lhe diz respeito, em nefasta interferência numa questão privada. Aos pais cabe o primordial dever de impor os primeiros limites aos filhos. A escola ou o Governo não deve ditar as normas de como devemos educar e proceder em família, mui principalmente, no momento que ora vivenciamos, onde a escola pública não educa , a Polícia não sabe lidar com os menores e o Estado não os protege. Porém, sabemos que, ao existir as agressões físicas ou atos que ferem os direitos individuais da pessoa, o Estado deve intervir. Sabendo-se que os órgãos criados para a proteção da criança e do adolescente, a exemplo dos Conselhos Tutelares, que nada fiscalizam, a presente Lei torna-se inócua e irrelevante. Nesse campo de atuação, os Governos Federal, Estaduais e Municipais deviam reconhecer suas inércias. As mudanças culturais de um povo, quando introduzidas por decisões politiqueiras, tendem ao fiasco e ao sarcasmo popular. Não é preciso possuir título de sociólogo para proceder tal afirmação.
       Nas palmadas corretivas, a intenção é corrigir um comportamento inadequado socialmente ou ao mau comportamento. Não existem estudos científicos com afirmações que tais correções gerem sequelas ou traumas psicológicos. A preocupação que devíamos ter é com as centenas de menores encarcerados nas masmorras brasileiras; o vergonhoso turismo sexual que violenta meninas e meninos e as drogas que os transformam em zumbis errantes . Necessitamos de ações objetivas e menos discursos, passando a oferecer dignas prestações de serviços nos setores da educação, saúde, segurança e moradia; entre outros pilares básicos do desenvolvimento humano. As palavras “Vinde a Mim as crianças” ainda são desconhecidas ou ignoradas nos salões palacianos.

O MEDO DE VIVER

       Durante a vida, em diversos momentos desfrutamos da alegria e, quando em vez, a tristeza cruza nossos caminhos. Do mesmo modo, como as lágrimas e os sorrisos se alternam em cada um de nós, também temos o medo como uma das emoções que nos envolvem. Sentir medo é normal. É uma reação natural do ser humano e, por incrível que pareça, ele nos protege ,ao alertar sobre possíveis perigos que se aproximam. Sempre convivemos com tais sentimentos, desde ao nos perceber como ser pensante. Porém, nos últimos anos, o famigerado lado podre dos direitos humanos preconiza os atos marginais, em detrimento às consequências sofridas pelas pessoas vitimadas por essa selvageria crescente. Hoje, o sentimento de medo é uma constante em cada trabalhador e trabalhadora do nosso País. O vergonhoso clima de insegurança que se espalhou e já predomina, pode se transformar numa neurose coletiva. A população se mostra tão inquieta e assustada que, um mal imaginário, tem o poder de causar calafrios da mesma maneira que um perigo real; prestes a acontecer. Como exemplo, podemos citar o fato de estarmos dirigindo automóvel no horário noturno e o semáforo nos impõe parar, todos nós desobedeceremos a legalidade de trânsito , por nos sentirmos desprotegidos e, colocaremos nossa salvaguarda em primeiro lugar; ultrapassando o sinal vermelho. Também, o direito de ir e vir , já se transformou em temeroso desafio.
       É o pavor sobrepujando os sorrisos e as lágrimas naturais, que antes afloravam nossas faces. O crime organizado dita as regras do conviver. A sociedade obedece. E a lei se omite. Vivemos os mais profundos estágios da incompetência e da falta de autoridade, desvalores ora tão presentes em nossa República Federativa. Não devemos aceitar que notícias e fatos escabrosos continuem sendo expostos pela mídia nacional, enquanto a impunidade segue em paralelo, nos explicitando o “nada se pode fazer”. Não temos como aquilatar a queima de ônibus em plena via pública, mulheres que são mortas através de linchamentos, interdições de rodovias por quaisquer motivos e ações nefastas de pretensos justiceiros. Incrédulos, ante a situação reinante, permanecemos à própria sorte ( ou azar ) dos futuros acontecimentos. Outrossim, tememos que os limites da atual desordem social sejam ultrapassados, gerando em inúmeras pessoas o que denominamos como fobia, ou seja, o medo desmedido e exacerbado. Sabemos que diversas são as fobias, entre elas, a de viajar de avião, de lugares escuros, de elevador, de altura, de lugares fechados e, até mesmo, de ver uma simples barata aos pés. São aversões originadas de traumas anteriores e que podem ser revividas em circunstâncias pontuais. Porém, o existir é contínuo. Urge que medidas drásticas e de caráter efetivo sejam postas em práticas, no objetivo de evitarmos a crueldade do estado anárquico que se aproxima. Não temos mais escolha !

ANÔNIMAS HEROINAS

       Um sábio queria descobrir qual a melhor descrição à pergunta “O que é ser mãe?” . Uma das respostas foi “Ser mãe é simplesmente ser mãe; não há palavras”. No último dia 11 do corrente mês, celebramos o dia das mães. Nesta data, todos se irmanam aos versos queridos e cantados, que dizem :” Em cada mulher que a terra criou, um traço de Deus, Maria deixou ...”. Sabemos que Deus é AMOR e, desde os primórdios dos tempos Cristãos até nossos dias, esse amor é simbolizado pela palavra MÃE. Em nosso idioma, por sua sublimidade, o vocábulo mãe não tem rima; a despeito das tentativas dos poetas, em suas prosas e versos. Nós, que integramos o Terço dos Homens, somos agradecidos por termos a Maria Santíssima venerada como MÃE RAINHA, Três vezes admirável. Mãe, porque ela nos foi dada pelo próprio Cristo; Rainha, porque é mãe de Cristo, o Rei do Universo e três vezes admirável por ser filha do Pai, mãe do Filho e esposa fidelíssima do Espírito Santo. E, em sua imagem, Jesus se encontra em seus braços fraternos. Mãe e filhos formam um binômio sacrossanto. Basta relembrarmos o diálogo existente no Evangelho de São João, entre mãe e Filho, quando da passagem Bíblica da Bodas de Caná. Aquele instante , se percebe e se traduz, de como aquela que gera a vida , pode conhecer o fruto do seu ventre, no mais íntimo do Ser. Maria tinha a clara consciência que chegara o momento de Jesus realizar o primeiro milagre. E a maravilha realmente aconteceu.
       Todas as mães são incrivelmente felizes ao perdoar; naturalmente espontâneas ao se doar e, em algumas oportunidades , ao defender seus rebentos, se tornam indefesas. Noutras ocasiões, o seu chorar, a encontra solitária. Não devemos esquecer a fábula “A coruja e a águia”, do escritor francês La Fontaine. Nela, a coruja pede para a águia não comer seus filhotes, exaltando-os como os mais belos do reino animal. Porém, no outro dia, ao voltar ao ninho, a coruja o encontra vazio, pois as suas crias tinham sido comidas pela águia; que não percebera nos pequeninos animais, a beleza que fora descrita pela mãe coruja. O mesmo acontece na humanidade. Para cada mãe , seus filhos não têm imperfeições. Num alento para os filhos e filhas, órfãos maternos, eis uma nova chance de presenteá-las. Seja recordando as saudáveis lembranças vividas em família ou elevando preces aos céus. Não se envergonhe se uma lágrima lhe rolar à face; logo um sorriso lhe aflorará aos lábios, na certeza de que os dias prazerosos do passado superam a dor da saudade. Então, você dirá consigo mesmo “ Ah! Mãe, mais uma vez, a senhora me enleva e me conforta “. Na nossa fé, repousa a confirmação de que cada uma delas permanece diariamente ao lado de quem ama. Devemos acrescentar que, a mulher ao se tornar vovó, renova suas emoções de forma e modo diferentes , pois, a vovó é duplamente mãe. Para todas essas valorosas mulheres, como num canto coral, eis que as vozes se unem , abençoando o “Feliz dia das mães “.

AS ASAS DA MOSCA

       O fato registrado na cidade de Três Passos, no Rio Grande do Sul, que motivou o assassinato do menino Bernardo, de apenas 11 anos de idade, demonstra como as crianças continuam indefesas e ignoradas pelo poder público do nosso País; qualquer que seja a sua gradação. O pai do garoto, a madrasta e uma amiga desta, são apontados como responsáveis pela premeditação e execução do insano crime;assim como pela ocultação cadáver, enterrado numa cova rasa ,em um matagal. A ida do menino Bernardo, meses antes, ao Juizado e ao Ministério Público, em busca de auxílio, torna o caso em tela, em algo muito singular. Em ambas as Instituições, ele relatou os sofrimentos impostos por seu pai e sua madrasta. Porém, não foi atendido em seus anseios. Façamos agora, conjetura sobre o que pode ter ocorrido, após o menor Bernardo deixar as Instituições onde fora clamar ajuda : O Juiz e o Promotor, ao tomarem conhecimento da queixa , através dos seus respectivos assessores, telefonam para o médico, pai de Bernardo e narram os lamentos da criança. Após algumas palavras, os telefonemas se encerram com mútuos elogios e as palavras “Ótimo final de semana ou até outro dia”.Nada foi investigado. Tudo tão comum e corriqueiro aos nossos tempos. Como resultado, após algum tempo, a tragédia se concretiza. Como simbologia ao acontecido, imaginemos que, se capturarmos um inseto voador, arrancarmos suas asas e o colocarmos ao chão, observaremos que o mesmo começará a mexer-se tentando novo vôo. Porém, nota que lhe faltam asas. Então, seus movimentos tornam-se cada vez mais lentos. Em seguida, imobiliza-se, passa por um processo de intensa agonia e ... morre.
        Foi desse modo, gradativo e irresponsável, que procederam com o jovem vitimado. O mesmo ficou só e ilhado por um mar de negligências, incompetências e omissões. Sua voz não foi ouvida ; suas lágrimas não foram vistas e seus passos foram inúteis. Foi o início de um triste final. Destarte, há uma união de cumplicidade entrelaçando os Órgãos e pessoas responsáveis(?) pela salvaguarda e aplicação da Lei; ao termos notícias que os maus tratos e o tratar mal eram do conhecimento dos habitantes da pequena Cidade.
       Agora, os engravatados prevaricadores, sentados em suas confortáveis poltronas e aboletados nos seus atapetados escritórios, tentam explicar o injustificável. Todos nós, como sociedade, temos o dever e o direito de exigir um Poder Judiciário íntegro em sua coletividade e ilibado em sua individualidade. Constrange-nos verificar que, de algum tempo, a exceção se torna a regra. Sabemos que esse não é o primeiro, nem será o último registro de tal natureza. Mas, se impõe que outros “Bernardos”, ora vivendo sem existir ou espalhados pelas vielas do submundo, como párias da sociedade; sejam resgatados à condição humana. Negar o referido preceito, inato a cada um deles, é violentar a nossa Carta constitucional. E, a mesma, não merece ser tão ultrajada !

GUERRILHEIROS DE PAPEL

        A renúncia do ex- Presidente Jânio Quadros, em 1961, foi o início do intrincado novelo que estenderia suas linhas até o desenrolar da Revolução do dia 31 de março de 1964. Naqueles dias, como é sabido, as esquerdas revolucionárias ( eram tantas e tantas) não proclamavam unanimidade de pensamento, nem de ideologia, quando cada bloco proferia seu próprio discurso.Mesmo assim, tentaram implantar aqui no nosso País, as regras que eram vividas na Rússia e na China. Logo depois, adotaram o regime cubano como o grande eldorado social. Proclamavam discursos inflamados, embora centenas de simpatizantes ignorassem as realidades dantescas dos trôpegos socialismos moscovita, oriental e cubano. Logo após, como era inevitável, os esquerdistas se insurgiram contra o regime militar e os militares atacaram de maneira ferrenha aos seus opositores.
       Hoje, surpreendentemente, inúmeras pessoas que não viveram, nem participaram de momentos tão históricos, tentam se transformar em arautos dos fatos que ora completam cincoenta anos. São risíveis as falas e os escritos daqueles e daquelas que, sem o devido conhecimento sobre o tema, ecoam frases “politicamente corretas”, apenas para serem simpáticos à sociedade ou se travestirem de cidadãos e cidadãs deveras ilibados. A criação da Comissão Nacional da Verdade, que busca esclarecer pontos obscuros dos anos de repressão, tem por dever de ofício , responder tais perguntas: “Que verdade ou quais verdades ?”. Não há uma verdade absoluta. Independente do fato, do tempo e do lugar, cada verdade é relativa, pois, depende do olhar que cada pessoa tem “dessa” verdade dentro de si. Sabemos que a Revolução de março não trouxe acentuada preocupação ao cidadão comum; porém, a mesma contou com o apoio de vários setores empresariais; da elite social (A qual sempre ignorou os problemas brasileiros), a espontânea e quase irrestrita colaboração da grande mídia nacional, que andava literalmente de braços dados com os generais; e da maioria da classe política. Basta atentarmos para o isolamento pessoal a que foi relegado o ex-Presidente Jango, antes de partir para o exílio. Governadores de São Paulo, Rio de janeiro, Minas gerais e até do Rio Grande do Sul; entre outros, criticava-o por ser vacilante. E, no momento crucial, lhe negaram o respaldo necessário . Todos se preocuparam apenas com suas benesses e/ ou a continuidade do seu lastro eleitoral. Em síntese, muitos estiveram ao lado do golpe militar , alguns se omitiram por medo ou por comodidade e alguns delataram seus ”companheiros” para salvar a própria pele. Então, aos combatentes virtuais, que preferiram o aconchego de suas residências e que , simplesmente ,ouviam e liam as notícias veiculadas; pelo menos, respeitem as memórias dos poucos que são dignos de elogios. Rendemos homenagens aos estudantes, intelectuais, professores, artistas, escritores, jovens, mulheres e homens anônimos, que em busca dos seus ideais, lutaram por um Brasil democrático e justo. Lamentavelmente, eles continuam sendo traídos !

VIDAS EM IDAS

      Atualmente, o tráfico humano ou o tráfico internacional de pessoas, para fins de exploração sexual , trabalho escravo e remoção de órgãos, nos transmite um brado de alerta, no propósito de enfrentarmos mal tão degradante. São homens, mulheres, adolescentes e crianças (principalmente meninas) que amiúde se transformam em vítimas desses crimes. Tais vítimas, são retiradas do convívio familiar, de sua cidade e, até mesmo de sua Pátria de origem, por meio do uso da força, rapto, coação, promessas mentirosas de emprego ou de lucro fácil. Elas, são levadas para lugares incertos , ao tempo em que seus passaportes lhes são retirados, são responsabilizadas por dívidas impagáveis, sofrem ameaças e , por vezes, espancamentos .São ilusórios sonhos daqueles que não têm o direito de sonhar.Daí, a presença e a força do crime organizado , composto por sofisticada e extensa engrenagem, envolvendo donos de hotéis, bares, boates, agências de viagem e de emprego, servidores públicos , motoristas, falsas agências de matrimônio e de modelo; além de autoridades. É o completar do triste destino, ou seja, a transformação de seres humanos em objetos do comércio subreptício da prostituição infanto-juvenil, de jovens e mulheres. Muitas crianças são levadas para adoção, outras,destinadas à servidão doméstica ou encaminhadas para as “clínicas” que servem aos mafiosos, locais onde são realizadas cirurgias para a remoção de órgãos vitais. Os homens também se tornam úteis ao trabalho escravo.
       Afirma-se que rapazes homossexuais e travestis , ao sofrerem discriminações no próprio lar e na família, são facilmente “pescados pela rede “. Hoje, em nosso País, a pobreza (no superlativo plural), toma dimensões imensuráveis e torna milhões de brasileiros e brasileiras em hordas de miseráveis; sem qualquer expectativa no futuro. Assim, os aliciadores não encontram dificuldades em arrebanhar pretendentes nas periferias das grandes cidades, em pequenos municípios e em áreas rurais . Nos estados de Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amapá, Pará, Acre e Santa Catarina, ocorre a maioria dos aliciamentos. A Organização dos Estados Americanos (OEA), mapeou 241 rotas no Brasil desse tipo de ação criminosa. Outro relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), quando da Convenção de Palermo, traz taxativamente :“ O Brasil é um dos países campeões do mundo em relação ao fornecimento de seres humanos para o tráfico internacional”. De acordo com as estatísticas internacionais , em 2012, dezenove milhões de pessoas foram traficadas no mundo, sendo quase três milhões em nosso solo pátrio;num tráfico que movimenta 32 (trinta e dois) bilhões de dólares em igual período. Às vezes, não percebemos que a exploração seconcretiza aos nossos olhos. O turismo sexual de estrangeiros no Brasil , como também, as animalescas condições de trabalho de muitos bolivianos e peruanos na capital paulista, entre outros fatos, são provas incontestáveis desta afirmação.
       Motivada por tanta omissão dos poderes constituídos e na esperança de diminuir tanta dor, a Igreja Católica, através da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), tem realizado nos últimos 40 anos, a Campanha da Fraternidade (CF) , que neste ano traz o tema “fraternidade e tráfico humano” e como lema: “É para a liberdade que Cristo nos libertou”. O documento de Aparecida afirma ser o tráfico humano uma das questões mais emblemáticas da atualidade. O Papa Francisco, entre outras palavras, ao se referir ao assunto, asseverou que “Não é possível ficar impassível ,sabendo que seres humanos são tratados como mercadoria”. Enquanto isso, a incompetência dos Governos, em todos os níveis,explicita a vontade do NÃO fazer; quando todos nada falam e fingem nada ver e nada ouvir. Pelo bem da soberania que ainda nos resta, se faz mister , resgatar esses desaparecidos, que são gente como a gente, mas que se tornaram apenas números numa folha de papel.
São lares enlutados. Muitas lágrimas. E, agora, uma nova esperança !

MENOS MÉDICOS

      A farsa engendrada pelo Governo Federal e anunciada com loas, sob às luzes dos holofotes e da grande mídia; começa a ruir. O programa que se destinava a promover a vinda de médicos estrangeiros para ofícios nos rincões pobres do nosso solo pátrio, oferecendo um salto de qualidade e quantidade aos atendimentos na área da saúde daqueles que residem nessas comunidades. Arquitetado nos porões dos palácios, mas, sem mudanças em sua estrutura decadente ou qualquer fiscalização na sua verticalidade hierárquica, o mesmo foi posto em prática, porém, os vícios continuaram os mesmos. Tal programa, se mostra claramente como palco de caráter eleitoreiro, sem qualquer nexo com a melhoria da saúde dos brasileiros e, aos poucos, se transforma num truque de ilusionismo; onde tudo parece , mas não é. Sabemos que os conluios internacionais, principalmente em época que antecede as eleições, ignoram aos preceitos básicos da ética , a moralidade jurídica e os ditames da legalidade.Nos surpreende como a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e demais Organismos congêneres, tenham se deixado convencer por tão estapafúrdia comercialização de pessoais e profissionais; se acumpliciando e não tomando as providências cabíveis.
       No que diz respeito aos oriundos de Cuba, os mesmos são vigiados 24 horas por dia, numa afronta ao livre arbítrio, motivando ameaçadora perseguição , a qual fere frontalmente os direitos individuais. Para esses profissionais, seus ganhos vencimentais não compensam a rotina de trabalho; numa exploração análoga ao trabalho escravo, pois, recebem menos que 10% (dez por cento) do salário que é direito a cada um. Tudo sob os olhares e a vergonhosa complacência dos plantonistas que estão no poder. Explicita-se assim, uma posição subalterna de uma republiqueta de bananas que se mistura ao amargo açúcar e aos embriagantes cachimbos exportados da “ilha”. Como poderia advir, eis que a médica cubana Ramona Matos , que trabalhava em um município do estado do Pará,se desligou do programa e solicitou asilo político para sua permanência em nosso País. Os médicos Luiz Herrera , Armando Corzo e Anisley Perez , oficializaram afastamentos e não estão mais credenciados ; enquanto Ortélio Guerra,de igual nacionalidade, conseguiu fugir de uma pequena cidade do interior de São Paulo , localidade onde exercia suas funções e ,já se encontra nos Estados Unidos. Eles se dizem ludibriados pelo Governo dos Castros e pelo “canto da sereia” vindo de Brasília.
       Há poucos dias, o Diário Oficial da União (DOU) publicou que outros 89 (Oitenta e nove) médicos abandonaram seus postos e encaminharam documentação ao Ministério da Saúde, versando sobre seus respectivos desligamentos do famigerado programa . Tal publicação, é prova inconteste de que algumas “verdades ocultas” ainda virão à tona, desnudando todo o
arcabouço da tramóia. Os brasileiros estão carentes de verdadeiros médicos. Não nos satisfaz aqueles apenas formados em medicina. Apesar de tudo, permanecemos perseverantes.

O FREVO NÃO DEVE MORRER

       Nesses três últimos carnavais, observamos com desagradável surpresa, que o ritmo do Frevo vem perdendo seus encantos . Lembramos quando nos dias de momo, podíamos ouvir em qualquer recanto seus belos acordes , imortalizados pelo compositor Capiba e tantos outros. As músicas eram de uma singeleza ímpar, enaltecendo a nossa nordestinidade e contagiando a alegria que nos embalava, independente de sermos ou não intrépido folião. Fomos testemunhas das brincadeiras que aqueles dias nos ofertavam, a começar do Entrudo ( momentos em que se acentuavam o mela-mela de talco, farinha, maizena, ovos e banhos de água); o Corso ( desfile de carros ornamentados, conduzindo mascarados, piratas, fadas, bruxas, heróis, palhaços, princesas, monstros, marinheiros e sereias) ; os blocos de rua; as frevanças matinais no clube da cidade, onde os Arlequins choravam pelo amores das belas e namoradeiras Colombinas; enquanto o sentimental Pierrô apenas a tudo assistia. O “fazer o passo” transformava todos em ingênuos brincalhões e, quem “ia para o carnaval” , tinha o verbo brincar como a principal finalidade. Tudo começava ao raiar do dia de domingo, quando o rei Momo tomava posse da chave da alegria , terminando à meia-noite da terça-feira. Era um reinado de paz. Porém, no melhor da festa vinha a quarta-feira ingrata.
       A palavra Frevo vem de ferver, pois, os trejeitos corporais do passista, faz parecer que abaixo dos seus pés exista uma superfície com água fervendo.Ele dança com uma colorida sombrinha aberta em uma das mãos.Desde os seus primórdios, a herança dos Frevo fez com que Pernambuco, Alagoas e Paraíba, a cada ano, se juntassem num único e grandioso carnaval. O Frevo e as marchinhas-carnavalescas, também tão queridas, tinham seus cantos entoados por inúmeros admiradores, a exemplo de “Ei, você ai, me dá um dinheiro ai; Olhe o Zé Pereira, olhe o carnaval; Menina vai, com jeito vai, senão um dia a casa cai; Varre , varre vassourinhas; Você pensa que cachaça é água; Eu fui a uma tourada em Madri ,pararatibum, bum bum”. Hoje, considerável parcela da população brasileira “se esconde “ do carnaval.É um percentual que cresce por sucessivos anos, como a demonstrar que os confetes e as serpentinas perderam suas cores e encontram-se na sarjeta. As fantasias foram mudadas. Hoje, o álcool, as drogas, a desfaçatez, o sexo libertino, as demonstrações de maus-costumes, as vítimas que são trucidadas nas estradas ou aquelas através da violência gratuita, continuam a ocultar o brilho dos estandartes. Nada a dizer ou não são dignas de comentários, as músicas de duplo sentido e de péssimo gosto que emporcalham os ouvidos , ferem os tímpanos e prostituem a maior festa popular do nosso País. Podemos afirmar que ainda é tempo para que algo seja feito, para doação aos nossos filhos e netos. Não queremos superestimar o pretérito, nem somos motivados pelo vão saudosismo, mas, pelo desejo do resgate dessa e de outras tradições. Pois, como canta o poeta : É de fazer chorar, quando o dia amanhece e vejo o Frevo acabar... !

É PRECISO PAZ PARA SORRIR

       Estamos voltando aos tempos da barbárie. Vivemos momentos nos quais a crueldade humana se mostra de forma mais cruel e animalesca. Leis ultrapassadas e o não cumprimento dos seus artigos, se acumpliciam às ações do “Dente por dente, olho Por olho”; impulsionando de modo célere a sangrenta escalada da criminalidade entre nós. Crescem as estatísticas,numa visão negativa, dos homicídios, latrocínios, roubos, furtos, assaltos e escândalos financeiros; envolvendo desde o meliante freqüentador das páginas policiais, ao famosos engravato das páginas sociais. Um se esconde no anonimato; o outro desembolsa apenas irrisória fiança. Sem punição, os fatos se sucedem e a sociedade parece anestesiada diante tais acontecimentos.Nesse cenário, destacamos a prisão e o linchamento de um ladrão na “cidade maravilhosa” do Rio de Janeiro, no bairro do flamengo, zona sul carioca, quando o mesmo foi deixado despido e amarrado com uma trava de bicicleta a um poste. A mulher que o socorreu e telefonou para a Polícia, com o objetivo de terminar tão degradante cena, foi veemente criticada e ameaçada através das redes sociais .
       Dias depois, na cidade de Itajaí, em Santa Catarina, um malfeitor foi preso por populares e amarrado em um poste,onde permaneceu por várias horas. Segundo comentários , as pessoas que passavam pelo local permaneceram indiferentes ante o que não era mais inusitado. Na mesma semana, na cidade de Belford Roxo, na baixada fluminense, registrou-se a execução de outro meliante. A vítima foi trucidada com três tiros na cabeça, numa das vias mais movimentadas do município, em plena luz do dia e na presença de várias pessoas.As câmeras postadas em uma loja,filmaram quando um homem desce do banco carona da moto, se aproxima calmamente da vítima e executa os disparos. Trazendo a realidade para o nosso rincão e, de acordo com o Boletim Anual de Estatística Criminal, em Alagoas , durante o ano de 2012, contabilizou-se 2.260 (Por extenso: Dois mil duzentos e sessenta) homicídios. Nos demais Estados , a desordem não é tão diferente. Porém, a revolta da população, de há muito contida, por tantos descalabros na área da segurança e proteção à vida e ao patrimônio das pessoas ordeiras e trabalhadoras, parece se predispor a soar mais alto que a erupção de um vulcão. Devemos atentar que casos semelhantes estão se repetindo com maior freqüência e com tal radicalismo, que estamos a perder o pouco da civilidade ora ostentada. Assim, cabe-nos oportuna reflexão sobre o somos individualmente ou no coletivo. Que caminhos estamos trilhando, quais os que teremos de percorrer e, onde tais passos nos levarão ? –
       Por certo, nos afastarão dos ensinamentos de Cristo e dos valores em sermos Cristãos. Muitos corações continuam de pedra e na Idade da Pedra, mormente, enquanto permanecermos indignos do SENHOR entrar em nossa morada. Sem dúvida, estamos
perdendo o elo que nos liga aos céus. Tomara que não. O que nos resta como certeza é de que sem justiça, não há paz. E, sem paz ...!

A NATUREZA INCÓLUME

       Beleza , perigo e mistério, são faces distintas das maravilhas que nos foram ofertadas, para encanto de todo o Universo. Entre elas, as Cataratas do Iguaçu, em terras brasileiras e argentinas, formada por 275 cascatas separadas; com alturas que se elevam até 80 metros.Vai do Paraná até a província de Missões ,no País vizinho,sendo titulada como patrimônio mundial da Unesco. Na Noruega, a enorme quantidade de formações naturais, conhecidas como Fiordes, resultado de fortes erosões durante a idade do gelo. São longos e estreitos braços de mar que avançam sobre terra adentro; suas paredes laterais possuem inclinações íngremes. O Monte Vesúvio, na Itália, onde seu ponto mais alto alcança 1.280 metros. Seus gases vulcânicos são liberados durante os períodos de erupção, destruindo toda a vegetação das encostas.Embora não apresente atividade, ainda é considerado um dos mais perigosos do mundo, pela ameaça que representa à população circunvizinha. Na erupção de 79 d.C. as cidades de Herculano e Pompéia foram soterradas. Podemos ainda destacar o Deserto de Gobi, na Mongólia. Durante o verão , seu calor é escaldante, enquanto nas noites invernais , a temperatura pode ficar abaixo do ponto de congelamento.
       O Monte Everest que se encontra entre o Tibet e o Nepal ,é o pico mais alto do mundo, com 8.850 metros. Continua palco de inúmeras expedições e muitas mortes. Porém, em 1953, foi escalado pela primeira vez com sucesso. Temos o Mar Morto, que se estende em terras da Jordânia e Israel , com 80 quilômetros de comprimento e 418 metros abaixo do nível do mar.Afirma-se que nenhuma forma de vida animal ou vegetal pode sobreviver em suas águas. As pessoas podem flutuar sem esforço em sua superfície, mas, é perigoso sorver sua água. Na África, nos 30 mil Km², a realidade do Serengeti , palavra que evoca cada tipo de animal selvagem, suas migrações e vastas planícies. Abriga inúmeras espécies de pássaros; sendo a mais linda diversidade de animais selvagens na terra.
       Nas Cataratas do Niágara, abrangendo os Estados Unidos e Canadá, o ar fica envolto em um manto de vapor e névoa. São 2,27 milhões de litros a cada segundo, surpreendendo os milhões de visitantes.Da ponte do arco-íris, pode ser avistado o fenômeno ,que é permanente, devido ao vapor das águas pulverizadas. No Japão, temos o Monte Fuji, ainda em atividade, com seus campos de lava, fontes quentes e vulcões. Exibe a forma de um cone com 3.776 metros de altura. É considerado sagrado ao seu povo. Agora, a imensidão do Deserto de Saara , o maior do mundo e que cobre uma área de 9.269.594 Km² . Outro destaque, é o Grand Canyon , nos EUA, serpenteado pelo rio Colorado, reunindo cavernas, torres, abismos, ravinas, rochas e quedas d’águas; onde a paisagem parece mudar constantemente, devido o andamento da luz do sol. Existe uma ponte de vidro donde os visitantes podem observar o Rio Colorado a 1220 metros abaixo. Por fim, a Floresta Tropical Amazônica , que é o símbolo da
magistral biosfera do planeta. Abriga milhões de espécies de plantas, animais e muitos povos indígenas. . Estende-se por mais de 5,9 milhões de km² e inclui o Brasil, Peru, Bolívia, Venezuela, Suriname e trechos da Guiana Francesa. Quiçá,no futuro, a mão do homem não venha a dilapidar tais maravilhas, recantos naturais e extraordinários da humanidade !

ACEFALISMO

       A situação vivida hoje pelos brasileiros, se compara ao de um povo nômade, à procura de um lugar acolhedor e que lhe seja seguro, na busca de paz para viver em família. Há décadas, não temos líderes ( na verdadeira acepção da palavra)ou alguém que possamos nos espelhar e que , sirva de guia nos errantes momentos pelos quais estamos vivenciando. Olhamos aos quatro cantos e não vislumbramos bons exemplos. Estamos à deriva, rodando em círculos, sem noção do que virá no amanhã.Somos jogados de um lado para outro, ao sabor dos caprichos de terceiros; oportunidade, em que perdemos nossa própria identidade. Não sabemos nossos Direitos , não lutamos por eles e, passivamente, declinamos dos mesmos. A situação é tão caótica que não nos sentimos representados, por aqueles que legalmente nos representam. Estamos órfãos de um pulso forte que comande o barco como um verdadeiro timoneiro, que segure com firmeza o leme da embarcação, na direção de um porto seguro. Ao contrário, cada vez mais , percebemos o enorme lodaçal de indignidades que nos cerca,impedindo o deslizar suave ao sabor dos ventos promissores. Hoje, as conquistas do pretérito, são vilipendiadas a cada momento. Quem nos governa, não atenta para a sanha avassaladora da carga tributária , a inflação galopante,a decadência e as abjetas prestações dos serviços oferecidos ao povo, os baixos salários pagos aos cidadãos e cidadãs que fazem o coração deste Brasil pulsar; indicadores que geram uma procissão de miseráveis . Nossa sociedade, retrocede diariamente, aos mais rudimentares Índice de Desenvolvimento Humano (IDH); a despeito de sermos a sétima economia mundial.
       Os falsos deuses que mantém o poder de mando, mais se assemelham aos arautos das más notícias. Não trabalham. Nada produzem. Não nos honram. Nessa selva de pedra, apenas o futuro ou como enfrentá-lo ,interessa a cada um. É a emblemática afirmativa do “salve-se quem puder”. O vil metal separa as pessoas, colocando-as nos diversos patamares sociais, no torpe pressuposto de que o joio se encontra entre os pobres e excluídos; enquanto o trigo floresce na elite social. Ledo engano.
       Estão distantes os tempos dos nossos heróis e heroínas, homens e mulheres, ora esquecidos pela subcultura que teima em não reverenciar as pessoas que lutaram para a consecução de um país melhor e mais justo. Essa galeria, é composta por vultos de políticos, militares, cientistas, intelectuais, professores, poetas, médicos, artistas, escritores e aqueles que saíram do seio do povo, anônimos que lideraram a busca de ideais. Eles nos ofereceram legados de honradez, coragem e nacionalismo. Porém, tais legados, ora se atrofiam e tendem a desaparecer. Resta-nos imitar o filósofo Diógenes, nascido 413 a.C., que perambulava pelas ruas de Atenas, em plena luz do dia, com uma lanterna na mão e que, ao ser perguntado, dizia
que “procurava um homem”. É assim que também nos encontramos. Estamos sem bússola e o gigante adormecido ruma ao precipício. Nosso Brasil , no seu todo, se encontra acéfalo .

O DIÁRIO E O LIVRO

       Ao lermos o livro “Depois de Auschwitz”, de Eva Schloos, uma sobrevivente dos campos de concentração da II Guerra Mundial, deparamo-nos com um depoimento, mesmo que dramático, mas que nos transmite a tenacidade e a perseverança durante os sombrios caminhos percorridos pela autora, sua família e por milhões de judeus. É uma boa leitura e mais um capítulo dos já escritos. Eva, seus pais Erich e Fritzi Geiringer, o irmão Heinz e seus avos, se tornam personagens dos vários dramas que se entrelaçam. A família residia na Áustria, quando o infortúnio começou com a invasão das forças alemãs, no ano de 1938.
       Porém, algo o deslustra, ao trazer na capa que Eva Schloos e Anne Frank são irmãs. Podemos classificar tal alusão como uma inverdade. Pois, elas não são irmãs. Desconhecemos as intenções dos editores ao explicitar algo que se transformou numa afirmação apelativa e desnecessária. Foi uma infeliz decisão.
       Embora tenham se encontrado na cidade de Amsterdã, na Holanda,entre tantas outras crianças e vivendo realidades idênticas, a amizade entre ambas não foi tão próxima.
       Anne Frank , foi a menina judia que, ao completar 13 anos de idade, ganhou um diário como presente de aniversário. Durante os anos de horrores da mesma II Guerra Mundial, sofreu radical direcionamento em sua vida, deixando de ser uma jovem livre e radiante para viver os horrores da Guerra, junto com seus pais, Otto e Edith Frank, sua irmã Margot e outros judeus, quando permaneceram ocultos em um porão na cidade de Amsterdã. De posse do diário, Anne narra de forma simples e cativante a rotina diária , a vivência e o pavor de serem descobertos pelos nazistas, numa visão constante da morte. Lamentavelmente, o esconderijo foi invadido por agentes inimigos em agosto de 1944 e, todos, foram levados para diferentes e terríveis destinos.Durante o holocausto, ocorreram as mortes do pai e do irmão de Eva; como também, da mãe, da irmã e da própria Anne, estas, mortas no campo de concentração denominado Bergen-Bergen ,em fevereiro do ano seguinte.As dezenas de campos de concentração espalhados por toda a Europa, se transformaram em verdadeiros centros de torturas e extermínios , onde soldados alemães estavam ocupados e dedicados a aperfeiçoar o assassinato em massa da raça judia. O mais famoso deles, Auschwitz, localizado na Polônia, tinha 38 núcleos separados e mais se parecia com uma pequena cidade. Após a vitória dos Países aliados e as rendições das forças alemã e japonesa; o pai de Anne, com a ajuda de amigos e historiadores, realizaram o lançamento do livro “O Diário de Anne Frank”, em agosto de 1947. O sucesso foi imediato, sendo considerado Best-seller em continuadas edições. A obra já foi apreciada por milhões de leitores espalhados pelos continentes, sendo posteriormente adaptada para o teatro e o cinema.Anos seguintes,aconteceu areaproximação entre o viúvo Otto Frank e a viúva Fritzi Geiringer, e o casamento entre ambos; quando então, Otto se tornou padrasto de Eva Schloos. Apenas isso .Por fim, não é exagero acentuar, que o admirador da arte não compra o livro por sua capa; no pressuposto que, a essência e a beleza do mesmo, se encontram em suas páginas !

A PROCLAMAÇÃO DOS RÉUS PÚBLICOS

       O 15 de novembro se tornou uma data duplamente festiva. Primeiro, pela anunciada República feita por Deodoro e uma plêiade de bravos brasileiros, que fizeram ruir o Império.Agora, pela prisão dos maiores trapaceiros das últimas décadas; quando políticos, funcionários públicos, empresários e órgãos diversos, se integraram numa nefasta quadrilha que agia nos gabinetes atapetados de Brasília; com o beneplácito da “estrela vermelha”. Sob o comando do então ministro-chefe da Casa Civil do Governo Federal, do tesoureiro e do presidente do Partido dos Trabalhadores, eles urdiram o plano de compra e venda de consciências e,cooptaram corruptos e corruptores; para alcance dos objetivos comuns. Era o início dos mais espúrios conchavos; mensalmente reciclados. Iniciado no Governo passado, o lodaçal que invadia a “ilha da fantasia”,teimava em continuar agindo livremente. Tão logo descobertos, a sociedade passou a exigir ações imediatas do judiciário e daqueles que fiscalizam o trato com o bem público .Iniciada a peça processual, na conhecida “ Ação Penal 470 “ que se arrasta por longos anos, a despeito das prisões ora impostas a alguns facínoras. Alguns verecditos ainda não foram anunciados. Enfim, julgados e condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foram levados às celas da Polícia Federal, locais que mais se adequam aos seus atos nocivos. Na oportunidade, cada “mensaleiro” tentou se travestir de “preso político”, quando ensaiou mais demonstrações ridículas dos seus atos; a exemplo de, repentinamente, se transformar num quase moribundo, para cumprir prisão no luxuoso apartamento da filha ou conseguir emprego(!) em um hotel de cinco estrelas.
       Numa volta ao passado, podemos afirmar que a Anistia ampla e geral, motivou o retorno de vários idealistas ilustres, mas também, uma corja de falsos guerrilheiros, que se aproveitaram e se aproveitam de um título que não merecem nem respeitam. Documentos nos asseveram que, alguns daqueles que se titulam “lutadores pela Pátria”, conquistaram a liberdade em troca das delações feitas, no ato de trair “ os companheiros” que estavam ao seu lado. Ao chegarem ao Brasil, as palavras honra e moral ficaram para trás. Sob a roupagem de heróis, muitos se ombrearam no sentido de recuperar o tempo perdido, ludibriando as esperanças de milhões de pessoas que neles acreditaram. Daí, a formação de um partido eleitoral, os embates das idéias, até o alcance da esperada vitória nas urnas.Poucos meses após, como novos donos do bastão de mando, usando dos mais engenhosos artifícios, iniciaram a busca desenfreada ao ouro,mormente ao elevar a corrupção como o principal lema; como a bestificar a sociedade brasileira. Ao povo, restava o circo e o pão. O Supremo Tribunal Federal deve prosseguir altaneiro e incólume às armadilhas dos salteadores e de
setores da mídia nacional; não se deixando ludibriar e fazendo valer a imposição dos Códigos. A paz vivida por um País, é fruto da justa justiça que ali se pratica.

       Hoje, mais que ontem, como cidadãos e cidadãs, devemos premiar ou punir conceitos de valores. Amanhã, mais que hoje, sejamos verdadeiramente iguais diante dos ditames da Lei.

CINQUENTA ANOS DEPOIS



       No dia 22 de novembro de 1963, às 12:30 horas, o presidente americano John Fritzgerald Kennedy, era assassinado na cidade de Dallas, no estado do Texas.  Naquele momento, ele  se encontrava, juntamente com sua esposa e o governador Texano, no  interior de um carro aberto, pelas ruas do município, sendo saudado por centenas  de pessoas. Canais de TV, repórteres,  jornalistas , o FBI e dezenas de seguranças  acompanhavam o cortejo , que era transmitido em tempo real para milhões de ouvintes. De repente, ouviram-se tiros. Uma primeira  bala atravessou o pescoço de Kennedy e, em fração de segundos, outro projétil lhe arrancava parte da cabeça. JFK foi levado de imediato ao Memorial Hospital. Logo após, um padre foi chamado à sala das emergências , no prévio anúncio da morte divulgada minutos depois.Durante as horas restantes daquela sexta-feira, um número incalculável de pessoas, em todo o planeta, se postou em frente aos seus aparelhos de televisão  e rádio; enquanto era continuamente repetidas as cenas dessa tragédia  inacreditável.Logo é anunciada a prisão de   Lee Oswald,  ex- integrante do Corpo de Fuzileiros, acusado de ter  disparado os tiros que mataram Kennedy, usando um rifle com mira telescópica, do 6* andar de um  edifício de depósito de livros escolares.  Durante os interrogatórios a que foi submetido, o acusado negou veementemente ser o autor do crime. E, como a copiar um filme policial em preto e branco,  de segunda categoria, o pretenso autor do crime que abalou o mundo, é também assassinado a tiros, dois dias após, por Jack Ruby, proprietário de um clube noturno,diante de fotógrafos e agentes federais, ao ser transferido para uma prisão de segurança máxima.Todo o País assistiu ao desenrolar dos fatos diante da televisão. Tudo parecia inverossímil.
          Até os dias de hoje, muitas perguntas ainda se encontram  sem as respostas que possam deslindar  as teorias sobre uma possível conspiração, engendrada nos porões do submundo político,do crime organizado ou  da máfia,que teimavam em  desenvolver seus tentáculos nos Estados Unidos. Muitos livros, documentários, reportagens, palestras, estudos  forenses,filmes e opiniões pessoais, teimam em aceitar como verdade, o resultado apresentado pela Comissão Warren em setembro de 1964, que em 26 volumes, concluiu que Kennedy fora morto por um fanático solitário. Lee Oswald continua a ser um enigma, um personagem de contornos indefinidos, cujas razões para o seu tresloucado gesto nunca foram totalmente explicadas.Um escritor asseverou :”É possível acreditar em quase tudo  que se diga sobe ele; mas, praticamente impossível saber o que é verdade”. Em 1988, numa pesquisa do New YorK Times, 66% (Sessenta e seis por cento)dos americanos disseram acreditar  ter havido uma conspiração. Outros fatos marcantes durante o mandato de John Kennedy, foi seu apoio ao  término dos conflitos raciais  que ali se desenrolavam; o romance que o mesmo mantinha com a exuberante  e famosa atriz Marilyn Monroe e os conflitos da guerra do Vietnã. Assim,longos  anos  nos separam  da perda do carismático  líder mundial e das verdades que se perderam no tempo !