Ao lermos o livro “Depois de Auschwitz”, de Eva Schloos, uma
sobrevivente dos campos de concentração da II Guerra Mundial,
deparamo-nos com um depoimento, mesmo que dramático, mas que nos
transmite a tenacidade e a perseverança durante os sombrios caminhos
percorridos pela autora, sua família e por milhões de judeus. É uma boa
leitura e mais um capítulo dos já escritos. Eva, seus pais Erich e
Fritzi Geiringer, o irmão Heinz e seus avos, se tornam personagens dos
vários dramas que se entrelaçam. A família residia na Áustria,
quando o infortúnio começou com a invasão das forças alemãs, no ano de
1938.
Porém, algo o deslustra, ao trazer na capa que Eva
Schloos e Anne Frank são irmãs. Podemos classificar tal alusão como uma
inverdade. Pois, elas não são irmãs. Desconhecemos as intenções dos
editores ao explicitar algo que se transformou numa afirmação apelativa e
desnecessária. Foi uma infeliz decisão.
Embora tenham se
encontrado na cidade de Amsterdã, na Holanda,entre tantas outras
crianças e vivendo realidades idênticas, a amizade entre ambas não foi
tão próxima.
Anne Frank , foi a menina judia que, ao
completar 13 anos de idade, ganhou um diário como presente de
aniversário. Durante os anos de horrores da mesma II Guerra Mundial,
sofreu radical direcionamento em sua vida, deixando de ser uma jovem
livre e radiante para viver os horrores da Guerra, junto com seus pais,
Otto e Edith Frank, sua irmã Margot e outros judeus, quando
permaneceram ocultos em um porão na cidade de Amsterdã. De posse do
diário, Anne narra de forma simples e cativante a rotina diária , a
vivência e o pavor de serem descobertos pelos nazistas, numa visão
constante da morte. Lamentavelmente, o esconderijo foi invadido por
agentes inimigos em agosto de 1944 e, todos, foram levados para
diferentes e terríveis destinos.Durante o holocausto, ocorreram as
mortes do pai e do irmão de Eva; como também, da mãe, da irmã e da
própria Anne, estas, mortas no campo de concentração denominado
Bergen-Bergen ,em fevereiro do ano seguinte.As dezenas de campos de
concentração espalhados por toda a Europa, se transformaram em
verdadeiros centros de torturas e extermínios , onde soldados alemães
estavam ocupados e dedicados a aperfeiçoar o assassinato em massa da
raça judia. O mais famoso deles, Auschwitz, localizado na Polônia, tinha
38 núcleos separados e mais se parecia com uma pequena cidade. Após a
vitória dos Países aliados e as rendições das forças alemã e japonesa; o
pai de Anne, com a ajuda de amigos e historiadores, realizaram o
lançamento do livro “O Diário de Anne Frank”, em agosto de 1947. O
sucesso foi imediato, sendo considerado Best-seller em continuadas
edições. A obra já foi apreciada por milhões de leitores espalhados
pelos continentes, sendo posteriormente adaptada para o teatro e o
cinema.Anos seguintes,aconteceu areaproximação entre o viúvo
Otto Frank e a viúva Fritzi Geiringer, e o casamento entre ambos;
quando então, Otto se tornou padrasto de Eva Schloos. Apenas isso .Por
fim, não é exagero acentuar, que o admirador da arte não compra o livro
por sua capa; no pressuposto que, a essência e a beleza do mesmo, se
encontram em suas páginas !
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