terça-feira, 5 de agosto de 2014

O DIÁRIO E O LIVRO

       Ao lermos o livro “Depois de Auschwitz”, de Eva Schloos, uma sobrevivente dos campos de concentração da II Guerra Mundial, deparamo-nos com um depoimento, mesmo que dramático, mas que nos transmite a tenacidade e a perseverança durante os sombrios caminhos percorridos pela autora, sua família e por milhões de judeus. É uma boa leitura e mais um capítulo dos já escritos. Eva, seus pais Erich e Fritzi Geiringer, o irmão Heinz e seus avos, se tornam personagens dos vários dramas que se entrelaçam. A família residia na Áustria, quando o infortúnio começou com a invasão das forças alemãs, no ano de 1938.
       Porém, algo o deslustra, ao trazer na capa que Eva Schloos e Anne Frank são irmãs. Podemos classificar tal alusão como uma inverdade. Pois, elas não são irmãs. Desconhecemos as intenções dos editores ao explicitar algo que se transformou numa afirmação apelativa e desnecessária. Foi uma infeliz decisão.
       Embora tenham se encontrado na cidade de Amsterdã, na Holanda,entre tantas outras crianças e vivendo realidades idênticas, a amizade entre ambas não foi tão próxima.
       Anne Frank , foi a menina judia que, ao completar 13 anos de idade, ganhou um diário como presente de aniversário. Durante os anos de horrores da mesma II Guerra Mundial, sofreu radical direcionamento em sua vida, deixando de ser uma jovem livre e radiante para viver os horrores da Guerra, junto com seus pais, Otto e Edith Frank, sua irmã Margot e outros judeus, quando permaneceram ocultos em um porão na cidade de Amsterdã. De posse do diário, Anne narra de forma simples e cativante a rotina diária , a vivência e o pavor de serem descobertos pelos nazistas, numa visão constante da morte. Lamentavelmente, o esconderijo foi invadido por agentes inimigos em agosto de 1944 e, todos, foram levados para diferentes e terríveis destinos.Durante o holocausto, ocorreram as mortes do pai e do irmão de Eva; como também, da mãe, da irmã e da própria Anne, estas, mortas no campo de concentração denominado Bergen-Bergen ,em fevereiro do ano seguinte.As dezenas de campos de concentração espalhados por toda a Europa, se transformaram em verdadeiros centros de torturas e extermínios , onde soldados alemães estavam ocupados e dedicados a aperfeiçoar o assassinato em massa da raça judia. O mais famoso deles, Auschwitz, localizado na Polônia, tinha 38 núcleos separados e mais se parecia com uma pequena cidade. Após a vitória dos Países aliados e as rendições das forças alemã e japonesa; o pai de Anne, com a ajuda de amigos e historiadores, realizaram o lançamento do livro “O Diário de Anne Frank”, em agosto de 1947. O sucesso foi imediato, sendo considerado Best-seller em continuadas edições. A obra já foi apreciada por milhões de leitores espalhados pelos continentes, sendo posteriormente adaptada para o teatro e o cinema.Anos seguintes,aconteceu areaproximação entre o viúvo Otto Frank e a viúva Fritzi Geiringer, e o casamento entre ambos; quando então, Otto se tornou padrasto de Eva Schloos. Apenas isso .Por fim, não é exagero acentuar, que o admirador da arte não compra o livro por sua capa; no pressuposto que, a essência e a beleza do mesmo, se encontram em suas páginas !

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