terça-feira, 5 de agosto de 2014

VIDAS EM IDAS

      Atualmente, o tráfico humano ou o tráfico internacional de pessoas, para fins de exploração sexual , trabalho escravo e remoção de órgãos, nos transmite um brado de alerta, no propósito de enfrentarmos mal tão degradante. São homens, mulheres, adolescentes e crianças (principalmente meninas) que amiúde se transformam em vítimas desses crimes. Tais vítimas, são retiradas do convívio familiar, de sua cidade e, até mesmo de sua Pátria de origem, por meio do uso da força, rapto, coação, promessas mentirosas de emprego ou de lucro fácil. Elas, são levadas para lugares incertos , ao tempo em que seus passaportes lhes são retirados, são responsabilizadas por dívidas impagáveis, sofrem ameaças e , por vezes, espancamentos .São ilusórios sonhos daqueles que não têm o direito de sonhar.Daí, a presença e a força do crime organizado , composto por sofisticada e extensa engrenagem, envolvendo donos de hotéis, bares, boates, agências de viagem e de emprego, servidores públicos , motoristas, falsas agências de matrimônio e de modelo; além de autoridades. É o completar do triste destino, ou seja, a transformação de seres humanos em objetos do comércio subreptício da prostituição infanto-juvenil, de jovens e mulheres. Muitas crianças são levadas para adoção, outras,destinadas à servidão doméstica ou encaminhadas para as “clínicas” que servem aos mafiosos, locais onde são realizadas cirurgias para a remoção de órgãos vitais. Os homens também se tornam úteis ao trabalho escravo.
       Afirma-se que rapazes homossexuais e travestis , ao sofrerem discriminações no próprio lar e na família, são facilmente “pescados pela rede “. Hoje, em nosso País, a pobreza (no superlativo plural), toma dimensões imensuráveis e torna milhões de brasileiros e brasileiras em hordas de miseráveis; sem qualquer expectativa no futuro. Assim, os aliciadores não encontram dificuldades em arrebanhar pretendentes nas periferias das grandes cidades, em pequenos municípios e em áreas rurais . Nos estados de Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amapá, Pará, Acre e Santa Catarina, ocorre a maioria dos aliciamentos. A Organização dos Estados Americanos (OEA), mapeou 241 rotas no Brasil desse tipo de ação criminosa. Outro relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), quando da Convenção de Palermo, traz taxativamente :“ O Brasil é um dos países campeões do mundo em relação ao fornecimento de seres humanos para o tráfico internacional”. De acordo com as estatísticas internacionais , em 2012, dezenove milhões de pessoas foram traficadas no mundo, sendo quase três milhões em nosso solo pátrio;num tráfico que movimenta 32 (trinta e dois) bilhões de dólares em igual período. Às vezes, não percebemos que a exploração seconcretiza aos nossos olhos. O turismo sexual de estrangeiros no Brasil , como também, as animalescas condições de trabalho de muitos bolivianos e peruanos na capital paulista, entre outros fatos, são provas incontestáveis desta afirmação.
       Motivada por tanta omissão dos poderes constituídos e na esperança de diminuir tanta dor, a Igreja Católica, através da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), tem realizado nos últimos 40 anos, a Campanha da Fraternidade (CF) , que neste ano traz o tema “fraternidade e tráfico humano” e como lema: “É para a liberdade que Cristo nos libertou”. O documento de Aparecida afirma ser o tráfico humano uma das questões mais emblemáticas da atualidade. O Papa Francisco, entre outras palavras, ao se referir ao assunto, asseverou que “Não é possível ficar impassível ,sabendo que seres humanos são tratados como mercadoria”. Enquanto isso, a incompetência dos Governos, em todos os níveis,explicita a vontade do NÃO fazer; quando todos nada falam e fingem nada ver e nada ouvir. Pelo bem da soberania que ainda nos resta, se faz mister , resgatar esses desaparecidos, que são gente como a gente, mas que se tornaram apenas números numa folha de papel.
São lares enlutados. Muitas lágrimas. E, agora, uma nova esperança !

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