A renúncia do ex- Presidente Jânio Quadros, em 1961, foi o início
do intrincado novelo que estenderia suas linhas até o desenrolar da
Revolução do dia 31 de março de 1964. Naqueles dias, como é sabido, as
esquerdas revolucionárias ( eram tantas e tantas) não proclamavam
unanimidade de pensamento, nem de ideologia, quando cada bloco
proferia seu próprio discurso.Mesmo assim, tentaram implantar aqui no
nosso País, as regras que eram vividas na Rússia e na China. Logo
depois, adotaram o regime cubano como o grande eldorado social.
Proclamavam discursos inflamados, embora centenas de simpatizantes
ignorassem as realidades dantescas dos trôpegos socialismos
moscovita, oriental e cubano. Logo após, como era inevitável, os
esquerdistas se insurgiram contra o regime militar e os militares
atacaram de maneira ferrenha aos seus opositores.
Hoje,
surpreendentemente, inúmeras pessoas que não viveram, nem participaram
de momentos tão históricos, tentam se transformar em arautos dos fatos
que ora completam cincoenta anos. São risíveis as falas e os escritos
daqueles e daquelas que, sem o devido conhecimento sobre o tema, ecoam
frases “politicamente corretas”, apenas para serem simpáticos à
sociedade ou se travestirem de cidadãos e cidadãs deveras ilibados. A
criação da Comissão Nacional da Verdade, que busca esclarecer pontos
obscuros dos anos de repressão, tem por dever de ofício , responder
tais perguntas: “Que verdade ou quais verdades ?”. Não há uma verdade
absoluta. Independente do fato, do tempo e do lugar, cada verdade é
relativa, pois, depende do olhar que cada pessoa tem “dessa”
verdade dentro de si. Sabemos que a Revolução de março não trouxe
acentuada preocupação ao cidadão comum; porém, a mesma contou com o
apoio de vários setores empresariais; da elite social (A qual sempre
ignorou os problemas brasileiros), a espontânea e quase irrestrita
colaboração da grande mídia nacional, que andava literalmente de
braços dados com os generais; e da maioria da classe política. Basta
atentarmos para o isolamento pessoal a que foi relegado o ex-Presidente
Jango, antes de partir para o exílio. Governadores de São Paulo, Rio
de janeiro, Minas gerais e até do Rio Grande do Sul; entre outros,
criticava-o por ser vacilante. E, no momento crucial, lhe negaram o
respaldo necessário . Todos se preocuparam apenas com suas benesses e/
ou a continuidade do seu lastro eleitoral. Em síntese, muitos
estiveram ao lado do golpe militar , alguns se omitiram por medo ou por
comodidade e alguns delataram seus ”companheiros” para salvar a
própria pele. Então, aos combatentes virtuais, que preferiram o
aconchego de suas residências e que , simplesmente ,ouviam e liam as
notícias veiculadas; pelo menos, respeitem as memórias dos poucos que
são dignos de elogios. Rendemos homenagens aos estudantes, intelectuais,
professores, artistas, escritores, jovens, mulheres e homens anônimos,
que em busca dos seus ideais, lutaram por um Brasil democrático e
justo. Lamentavelmente, eles continuam sendo traídos !
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