terça-feira, 5 de agosto de 2014

GUERRILHEIROS DE PAPEL

        A renúncia do ex- Presidente Jânio Quadros, em 1961, foi o início do intrincado novelo que estenderia suas linhas até o desenrolar da Revolução do dia 31 de março de 1964. Naqueles dias, como é sabido, as esquerdas revolucionárias ( eram tantas e tantas) não proclamavam unanimidade de pensamento, nem de ideologia, quando cada bloco proferia seu próprio discurso.Mesmo assim, tentaram implantar aqui no nosso País, as regras que eram vividas na Rússia e na China. Logo depois, adotaram o regime cubano como o grande eldorado social. Proclamavam discursos inflamados, embora centenas de simpatizantes ignorassem as realidades dantescas dos trôpegos socialismos moscovita, oriental e cubano. Logo após, como era inevitável, os esquerdistas se insurgiram contra o regime militar e os militares atacaram de maneira ferrenha aos seus opositores.
       Hoje, surpreendentemente, inúmeras pessoas que não viveram, nem participaram de momentos tão históricos, tentam se transformar em arautos dos fatos que ora completam cincoenta anos. São risíveis as falas e os escritos daqueles e daquelas que, sem o devido conhecimento sobre o tema, ecoam frases “politicamente corretas”, apenas para serem simpáticos à sociedade ou se travestirem de cidadãos e cidadãs deveras ilibados. A criação da Comissão Nacional da Verdade, que busca esclarecer pontos obscuros dos anos de repressão, tem por dever de ofício , responder tais perguntas: “Que verdade ou quais verdades ?”. Não há uma verdade absoluta. Independente do fato, do tempo e do lugar, cada verdade é relativa, pois, depende do olhar que cada pessoa tem “dessa” verdade dentro de si. Sabemos que a Revolução de março não trouxe acentuada preocupação ao cidadão comum; porém, a mesma contou com o apoio de vários setores empresariais; da elite social (A qual sempre ignorou os problemas brasileiros), a espontânea e quase irrestrita colaboração da grande mídia nacional, que andava literalmente de braços dados com os generais; e da maioria da classe política. Basta atentarmos para o isolamento pessoal a que foi relegado o ex-Presidente Jango, antes de partir para o exílio. Governadores de São Paulo, Rio de janeiro, Minas gerais e até do Rio Grande do Sul; entre outros, criticava-o por ser vacilante. E, no momento crucial, lhe negaram o respaldo necessário . Todos se preocuparam apenas com suas benesses e/ ou a continuidade do seu lastro eleitoral. Em síntese, muitos estiveram ao lado do golpe militar , alguns se omitiram por medo ou por comodidade e alguns delataram seus ”companheiros” para salvar a própria pele. Então, aos combatentes virtuais, que preferiram o aconchego de suas residências e que , simplesmente ,ouviam e liam as notícias veiculadas; pelo menos, respeitem as memórias dos poucos que são dignos de elogios. Rendemos homenagens aos estudantes, intelectuais, professores, artistas, escritores, jovens, mulheres e homens anônimos, que em busca dos seus ideais, lutaram por um Brasil democrático e justo. Lamentavelmente, eles continuam sendo traídos !

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