terça-feira, 5 de agosto de 2014

ACEFALISMO

       A situação vivida hoje pelos brasileiros, se compara ao de um povo nômade, à procura de um lugar acolhedor e que lhe seja seguro, na busca de paz para viver em família. Há décadas, não temos líderes ( na verdadeira acepção da palavra)ou alguém que possamos nos espelhar e que , sirva de guia nos errantes momentos pelos quais estamos vivenciando. Olhamos aos quatro cantos e não vislumbramos bons exemplos. Estamos à deriva, rodando em círculos, sem noção do que virá no amanhã.Somos jogados de um lado para outro, ao sabor dos caprichos de terceiros; oportunidade, em que perdemos nossa própria identidade. Não sabemos nossos Direitos , não lutamos por eles e, passivamente, declinamos dos mesmos. A situação é tão caótica que não nos sentimos representados, por aqueles que legalmente nos representam. Estamos órfãos de um pulso forte que comande o barco como um verdadeiro timoneiro, que segure com firmeza o leme da embarcação, na direção de um porto seguro. Ao contrário, cada vez mais , percebemos o enorme lodaçal de indignidades que nos cerca,impedindo o deslizar suave ao sabor dos ventos promissores. Hoje, as conquistas do pretérito, são vilipendiadas a cada momento. Quem nos governa, não atenta para a sanha avassaladora da carga tributária , a inflação galopante,a decadência e as abjetas prestações dos serviços oferecidos ao povo, os baixos salários pagos aos cidadãos e cidadãs que fazem o coração deste Brasil pulsar; indicadores que geram uma procissão de miseráveis . Nossa sociedade, retrocede diariamente, aos mais rudimentares Índice de Desenvolvimento Humano (IDH); a despeito de sermos a sétima economia mundial.
       Os falsos deuses que mantém o poder de mando, mais se assemelham aos arautos das más notícias. Não trabalham. Nada produzem. Não nos honram. Nessa selva de pedra, apenas o futuro ou como enfrentá-lo ,interessa a cada um. É a emblemática afirmativa do “salve-se quem puder”. O vil metal separa as pessoas, colocando-as nos diversos patamares sociais, no torpe pressuposto de que o joio se encontra entre os pobres e excluídos; enquanto o trigo floresce na elite social. Ledo engano.
       Estão distantes os tempos dos nossos heróis e heroínas, homens e mulheres, ora esquecidos pela subcultura que teima em não reverenciar as pessoas que lutaram para a consecução de um país melhor e mais justo. Essa galeria, é composta por vultos de políticos, militares, cientistas, intelectuais, professores, poetas, médicos, artistas, escritores e aqueles que saíram do seio do povo, anônimos que lideraram a busca de ideais. Eles nos ofereceram legados de honradez, coragem e nacionalismo. Porém, tais legados, ora se atrofiam e tendem a desaparecer. Resta-nos imitar o filósofo Diógenes, nascido 413 a.C., que perambulava pelas ruas de Atenas, em plena luz do dia, com uma lanterna na mão e que, ao ser perguntado, dizia
que “procurava um homem”. É assim que também nos encontramos. Estamos sem bússola e o gigante adormecido ruma ao precipício. Nosso Brasil , no seu todo, se encontra acéfalo .

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