domingo, 23 de setembro de 2012

AS CORES DAS COTAS

         As diferenças sociais no Brasil  perduram por mais de 500 anos, sem que, através dos séculos, se tenha implementado ações no objetivo da minimização dessas desigualdades. Sabemos que o grande  percentual das classes  dos pobres e miseráveis (aqueles que vivem na linha mínima da pobreza), é composto  por negros, pardos e indígenas. No campo educacional, tal situação, fazia perdurar uma anacrônica realidade, motivando a que os mais abastados financeiramente estudassem em escolas particulares e, depois, ingressassem e ocupassem todas as vagas oferecidas nas universidades públicas. Restava  aos excluídos sociais, poucas esperanças e quase nenhuma certeza de adentrar ao elitizado mundo universitário, a despeito de lutas e  sacrifícios por anos a fio. Tantos foram os reclamos da sociedade e de ilibados educadores,  demonstrando a permissividade do que estava ocorrendo e dos desdobramentos que se avizinhavam, que o Governo Federal criou o sistema de cotas para o ensino superior. A aprovação dessas cotas é a busca de se reverter a gritante desigualdade histórica que ainda permeia nosso convívio,  dando oportunidades concretas aos segmentos sociais que ocupam as periferias das grandes cidades brasileiras e aos estudantes oriundos de colégios públicos. Hoje, o  sistema de cotas se transforma numa ação afirmativa que já tardava, no sentido de ombrear raças e cores num avanço cultural.                
         Porém, as cotas não atingem o âmago da questão e do que ora ocorre nos educandários públicos, qual seja, acentuadas melhorias nos ensinos fundamental e médio; valorização do profissional docente(inclusive sua liderança disciplinar sobre o alunato ); objetivas grades curriculares que atendam às realidades do País e salas de aulas munidas da infraestrutura  ora imposta pelo tempo atual. Urge também, em paralelo, políticas  eficazes englobando  saúde, trabalho, distribuição de renda, moradia e segurança ostensiva; numa oferta de reais condições , para que milhões de jovens possam estudar e adquirir os conhecimentos voltados ao futuro. Se assim for, em breve, teremos estudantes em idênticas condições, na disputa dos  diversos vestibulares das universidades federais. Temos ciência que  as cotas suscitam várias interrogações, mas, não podemos nos inquietar, pois, só o tempo poderá nos responder. Não nos esqueçamos que há alguns anos, setores da sociedade brasileira, exigiram  dos gabinetes de Brasília, uma tomada de posição ao atendimento aos Direitos dos surdos e demais deficientes físicos, num processo de inclusão social ,  aceitando-os como verdadeiros  cidadãos e cidadãs; na constatação de respeito às diferenças. Assim, avaliamos  que as cotas não devem se manter para todo o sempre, permanecendo até o momento que se fizer mister. A nossa Constituição assevera “Que todos os brasileiros são iguais perante a Lei”. Aguardemos !

domingo, 16 de setembro de 2012

ATO FINAL


      No dia dez do corrente mês, a Organização Mundial da Saúde (OMS) fez lembrar a data mundial de prevenção ao suicídio, cobrando ações efetivas nos cinco continentes, para minimizar o mal. O ato de a pessoa tirar a própria vida vem se multiplicando com o passar dos tempos; mesmo levando-se em consideração, que tal gesto vem sendo praticado desde as mais tenras eras. Os suicídios de Cleópatra, Judas Iscariotes, Alberto Santos-Dumont, Marilyn Monroe, Van Gogh, do ex-Presidente Getúlio Vargas, Adolf Hitler e dos  pilotos japoneses camicases, durante a 2ª Guerra Mundial , estão entre tantos famosos.  Estudos confirmam o aumento dos casos de suicídios nos últimos cinquenta anos, na ordem de quase um milhão anualmente em todo o planeta; entre pessoas de 15 a 60 anos de idade, com predominância do sexo masculino. Transformando-se numa questão de saúde pública, continua sendo tratado como problema de somenos importância na maioria dos Países. Pouquíssimos os que atentam ao assunto. A Lituânia, Rússia, Japão, Índia, China, Alemanha, Filipinas e Estados Unidos, por serem países populosos, lideram os números daqueles que ceifaram suas vidas em mortes prematuras. Enforcamento, envenenamento, overdose, tiro, afogamento e saltar de prédios, são os meios mais utilizados. Aos estudiosos, são complexas as causa daqueles que procuram, através de ação tão radical, fugir das agruras que lhes afligem e que se mostram impossíveis de superar, seja uma situação (dívidas financeiras) ou um acontecimento (morte de pessoa querida); quando julgam que ninguém pode socorrer ou não sabem onde pedir ajuda. Assim também, os sentimentos de rejeição, culpa e perda, são fatores motivadores do possível estado mental da depressão, incutindo na futura vítima, o desejo de morrer. Abandonar amigos, perder o interesse por atividades diversas, buscar a solidão ou aparentar instabilidade emocional, são mostras de urgente atenção e a busca do diálogo entre a família. Apregoa-se que prevenir é uma ação coletiva, que deve ser liderada pelas autoridades e coadjuvada pela sociedade e seus grupos, a exemplo das igrejas, escolas, clubes, entre outros.
       No Brasil, em 2006, o Ministério da Saúde, alardeou implementar o programa denominado “Diretrizes  Nacionais para Prevenção ao suicídio”,através do Centro de Valorização da Vida (CVV); porém, após seis anos, nada saiu do papel, transformando-se em meras letras e palavras. O fator “não sabem onde pedir ajuda”  é a afirmação dos inúmeros  que “se acham perdidos” e se patenteia na alta reincidência dos que TENTARAM  o suicídio e, semanas após, voltaram a cometer o mesmo ato e... morreram.  Enquanto o serviço de emergência dos hospitais, for o único “bálsamo salvador” dos que tentam a morte, a vida nunca será o bem maior. Não custa entendermos que cada tentativa de suicídio é um grito de socorro!

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A LUZ DO SERTÃO

       Batizado com o nome de Virgulino Ferreira da Silva, fazia parte de uma prole de nove filhos (Antônio, Livino, Virgulino, Virtuosa, João, Angélica, Maria, Ezequiel e Amélia),  de uma família  que vivia enfrentando a violência que dominava o interior nordestino. A mãe, Maria Lopes, morre após longa caminhada sob o sol escaldante e, o pai, José Ferreira da Silva, é trucidado por policiais. Os três irmãos mais velhos juram vingança e, para tentar alcançar tal objetivo, se integram ao bando de Sinhô Pereira  e dão caça às famílias Nogueira e Carvalho, inimigos de longas datas. Durante dois anos, a quadrilha realizou assaltos em Alagoas, Pernambuco e Ceará, oportunidades  nas quais ,Lampião demonstrou extrema coragem e hábil estrategista; culminando em ser escolhido como o novo líder. Daquele momento em diante, Lampião  impôs sua própria lei no sertão e surgia o mito do “capitão” Virgulino, esperança dos pobres e benfeitor  aos olhos das massas desprotegidas e miseráveis. Aos poucos, seu bando se distinguia, entre aqueles que fazem parte da história do banditismo rural.         
       Era recebido com aplausos quando adentrava com seus “cabras” aos povoados castigados pela seca inclemente; ajudava aos famintos e, ao mesmo tempo, promovia  chacinas e  pilhagens, para se reabastecer de armas, munições, víveres , roupas e remédios. Uma vez, foi repelido pela Polícia de Mossoró, no Rio Grande do Norte  e, noutra, ao fugir da volante, embrenhou-se  às matas do distrito de Santa Brígida, onde conheceu Maria Bonita , uma jovem de 19 anos, que o admirava e acompanhou-o, rumo a um estilo de vida de aventuras. Ela se conservou fiel ao herói dos seus sonhos e Lampião lhe devotou constante paixão. Em 1926, Livino é morto em combate e, no ano seguinte, Antônio é vitimado por um tiro de fuzil; forçando-o a chamar Ezequiel, o seu irmão caçula. Lampião já não possuía a visão do olho direito,que fora  ferido por espinhos. Durante anos, o bando  viveu no Raso da Catarina, espécie de deserto, que  as volantes temiam penetrar, por sua grande extensão, ambiente árido e falta de água.Ao saber disso,  os Governadores de Sergipe, Bahia, Alagoas e Pernambuco, resolveram unir esforços para perseguir e aniquilar o bando. Sempre avisado por informantes, Lampião efetuava  fugas miraculosas.          
        Lampião comportava-se mais como verdadeiro fora-da-lei, do que como um revolucionário. Não sabia organizar as populações que lhes eram   favoráveis,nem estruturar uma revolta, pois, não compreendia  os problemas que afligiam o povo nordestino. Foi  um comandante e um líder,  mas incapaz de iniciar, através  das armas, uma  possível transformação da realidade social brasileira ou de imaginar o seu papel em termos de poder. Em julho de 1938, nas grotas de Angicos, o bando do “capitão” Virgulino foi dizimado e, como epílogo macabro, a decapitação dos cangaceiros, tendo suas cabeças colocadas em baldes de sal e exibidas publicamente.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O CANTO DOS DESENCANTOS

        A participação do Brasil na última olimpíada, deve ser encarada  como simples figurante ,ou no melhor dos elogios, coadjuvante de segunda categoria, numa peça esplendorosa. Podemos também, acolher os resultados, como um alerta para o futuro que há de vir. Permanecemos aquém da competência dos dirigentes e treinadores adversários e do talento de outros atletas. Os Estados Unidos sagraram-se os grandes campeões da competição, arrebatando cento e quatro medalhas, sendo 46 de ouro, 29 de prata e 29 de bronze, coadjuvados pela China e Grã-Bretanha, nas segunda e terceira posições. Rússia, Coréia do Sul, Alemanha, França, Itália , Hungria e Austrália, completaram o elenco dos dez melhores colocados, em número de troféus ganhos. A mídia brasileira  mais influente, que engloba os estados de São Paulo e Rio de janeiro, cantou em prosa e versos, “os fenômenos” que possuíamos e, com certeza absoluta, surpreenderiam o mundo esportivo, com várias conquistas. O ufanismo surrealista apenas  nos traz prejuízo e direciona parcela da população, a acreditar no pseudo arco-íris que se encontra à frente. Não é,e Jamais  será assim, que alcançaremos o nível das nações, que fazem do esporte, um pedestal na formação de jovens atletas e orgulhosos cidadãos e cidadãs.
       Triste e lastimável papel. Até o Cazaquistão (!), do qual desconhecemos qualquer trajetória esportiva, ficou à nossa frente, tendo subido ao pódio, ao conquistar sete medalhas de ouro e, conseguido  o décimo segundo  lugar na computação final. O Brasil foi o vigésimo segundo colocado, ganhando apenas  3 de ouro, 5 de prata e 9 de bronze. A Etiópia, Croácia, África do Sul e Azerbajão, também obtiveram três medalhas de ouro e fazem parte do “bloco”, ou seja, foram os nossos assemelhados. Logo após, aparecem Belarus e Quênia. Lamentamos as pífias apresentações  do futebol, esgrima, tiro, hipismo, handebol, nado sincronizado, basquete  e tênis de mesa;entre outros desastres.Para termos a dimensão do fracasso, basta sabermos que o atleta e corredor jamaicano Usain Bolt, sozinho, foi merecedor de três ouro.
        As nossas poucas alegrias repousaram nas apresentações individuais, nas modalidades de judô, boxe, natação, ginástica, pentatlo ou nas duplas de vôlei de praia; enquanto o vôlei feminino foi a única equipe coletiva a brilhar.  Temos a ressaltar  a persistência, abnegação  e coragem pessoal e dos familiares  desses vencedores, que a despeito das dificuldades enfrentadas e da falta de apoio governamental,  levantaram com orgulho a bandeira nacional.  Tamanha pequenez é injustificável e faz-nos presumir o que nos aguarda nas olimpíadas de 2016, que será realizada em terras tupininquins. Que os acontecimentos de Londres nos sirvam de lições e que a mensagem tenha sido aprendida e apreendida. Vamos esperar e torcer!

MINISTÉRIO PRIVADO

         Acontecem fatos em nosso País, que com certeza, não se registram em nenhum outro lugar do mundo. De há muito, vem se noticiando  o envolvimento de um Senador da República, governadores,  prefeitos, deputados, vereadores, empresários e funcionários públicos com o bicheiro denominado  “cachoeira”; este, possuidor de imensurável  fortuna e sólidos tentáculos  na absorção  de comparsas.           Foi  instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e, após meses de reuniões, interrogatórios, acertos e combinações, o Senador ora envolvido , por infringir o decoro parlamentar (!), teve seu mandato político cassado. Mas, eis que em ato contínuo, o condenado  por comprovação de cometimento de crime, retomou sua prerrogativas como Promotor de justiça no estado de Goiás, tomando posse no  relevante cargo público.Tal anomalia, explicita tamanha comicidade,que seria trágica, se não fosse tão vergonhosa a quem tem o mínimo de discernimento. Tamanha aberração, sob o olhar complacente dos homens, só  se  concretiza  em terras tupiniquins. Lá, a desonra foi recebida com honras.    
         O Órgão  Ministério público  é avaliado positivamente pelos brasileiros, por ainda pertencer, ao  pequeno elenco das Instituições incólumes  ao negativismo que rodeia  várias siglas inoperantes . Estas, reconhecidas pelos desserviços prestados.      
         Ao Ministério Público Federal (MPF), cabe como dever de ofício: O combate ao crime organizado e à corrupção; mandado de segurança contra autoridade pública federal ou equiparada; ações contra autoridade com foro privilegiado;  o julgamento primordial de seus  próprios membros  e a fiscalização da correta aplicação da lei  nas áreas criminal, eleitoral e segurança pública;  entre outras atribuições . Assim, de  imediato,  se impõe impetrar um instrumento jurídico, quer seja  uma ação civil pública ou mandado de segurança, no objetivo de se evitar mal maior. Sabemos que cada promotor ou procurador  atua e julga de acordo com suas convicções; porém, não pode nem deve fugir do que está preconizado em Lei. A autonomia institucional e a independência funcional  não avalizam a omissão ,a cumplicidade ou o espírito de corpo (ou de porco?) , no pressuposto do “ninguém sabe, ninguém viu”, perpetrando uma situação injustificável  perante toda a sociedade.  O Valor do coletivo sobre o individual e a autopreservação, no que tange ao momento atual, também se tornam fundamentais ao deslinde da questão. Fechar-se em conchas e ignorar o que está acontecendo, poderá fazer ruir seus pilares éticos.  Ao cidadão e cidadã que se esmeram em suas ações de probidade, inquieta-os a conhecida afirmativa de que “O Brasil não é um País sério”. Se assim  for, devemos crer ,que o Ministério Público, que é público e para o povo,  também já se enlameou no lodaçal que envolve  grande parte do  sistema brasileiro. Senhores,  a transparência  se deixa atravessar pela luz !