As
diferenças sociais no Brasil perduram
por mais de 500 anos, sem que, através dos séculos, se tenha implementado ações
no objetivo da minimização dessas desigualdades. Sabemos que o grande percentual das classes dos pobres e miseráveis (aqueles que vivem na
linha mínima da pobreza), é composto por
negros, pardos e indígenas. No campo educacional, tal situação, fazia perdurar
uma anacrônica realidade, motivando a que os mais abastados financeiramente
estudassem em escolas particulares e, depois, ingressassem e ocupassem todas as
vagas oferecidas nas universidades públicas. Restava aos excluídos sociais, poucas esperanças e
quase nenhuma certeza de adentrar ao elitizado mundo universitário, a despeito
de lutas e sacrifícios por anos a fio.
Tantos foram os reclamos da sociedade e de ilibados educadores, demonstrando a permissividade do que estava
ocorrendo e dos desdobramentos que se avizinhavam, que o Governo Federal criou
o sistema de cotas para o ensino superior. A aprovação dessas cotas é a busca
de se reverter a gritante desigualdade histórica que ainda permeia nosso
convívio, dando oportunidades concretas
aos segmentos sociais que ocupam as periferias das grandes cidades brasileiras
e aos estudantes oriundos de colégios públicos. Hoje, o sistema de cotas se transforma numa ação
afirmativa que já tardava, no sentido de ombrear raças e cores num avanço
cultural.
Porém, as cotas não atingem o âmago
da questão e do que ora ocorre nos educandários públicos, qual seja, acentuadas
melhorias nos ensinos fundamental e médio; valorização do profissional docente(inclusive
sua liderança disciplinar sobre o alunato ); objetivas grades curriculares que
atendam às realidades do País e salas de aulas munidas da infraestrutura ora imposta pelo tempo atual. Urge também, em
paralelo, políticas eficazes
englobando saúde, trabalho, distribuição
de renda, moradia e segurança ostensiva; numa oferta de reais condições , para
que milhões de jovens possam estudar e adquirir os conhecimentos voltados ao
futuro. Se assim for, em breve, teremos estudantes em idênticas condições, na
disputa dos diversos vestibulares das
universidades federais. Temos ciência que
as cotas suscitam várias interrogações, mas, não podemos nos inquietar,
pois, só o tempo poderá nos responder. Não nos esqueçamos que há alguns anos,
setores da sociedade brasileira, exigiram dos gabinetes de Brasília, uma tomada de
posição ao atendimento aos Direitos dos surdos e demais deficientes físicos,
num processo de inclusão social ,
aceitando-os como verdadeiros cidadãos e cidadãs; na constatação de respeito
às diferenças. Assim, avaliamos que as
cotas não devem se manter para todo o sempre, permanecendo até o momento que se
fizer mister. A nossa Constituição assevera “Que todos os brasileiros são
iguais perante a Lei”. Aguardemos !
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