A
talidomida foi lançada em 1957, no mercado de remédios da Alemanha, pela firma Chemie gruenenthal, sob a marca Contergan , considerado um calmante inovador e receitado por muitos médicos aos
pacientes que reclamavam de dor de cabeça, cansaço ou princípio de febre. O risco do uso inadequado se aparentava tão reduzido, que ela
não chegou a ser incluída na
tabela dos medicamentos sob venda
controlada. Qualquer pessoa podia comprá-la
e fazer uso sem dificuldades.
Em novembro de 1961, após
estudos e pesquisas com inúmeros medicamentos, médicos alemães reunidos em
Dusseldorf, relacionaram
claramente a ingestão do Contergan
por parte de mulheres
grávidas com as deformações
congênitas em seus fetos. Logo que os efeitos nocivos do produto foram
divulgados, o Ministério Alemão da Saúde Pública decretou a proibição de sua venda
e uso , ao constatar que milhares
de crianças vieram ao mundo apresentando tais graves deformações . Porém, as farmácias só cessaram as vendas da talidomida em junho do ano seguinte; em consequência dos vergonhosos interesses financeiros que se permeavam em
jogo. O processo relativo às consequências nocivas da talidomida,foi instaurado de imediato. Mesmo
diante da indignação mundial, ( à perplexidade dos médicos) e da
amplitude da catástrofe, as indústrias farmacêuticas recusaram-se a assumir
responsabilidades e foram
protegidas pela complexidade da questão médica e pela lentidão
do processo jurídico. Na época, o número de vítimas na
Alemanha, Inglaterra, Canadá, Bélgica, Suécia, Noruega, Japão e América do Sul , foi estimado em mais de trinta mil
nascimentos e, entre eles, vários natimortos. Também foram constatadas inúmeras Lesões cerebrais ocorridas
em jovens e adultos; aos quais
foram ministrados a talidomida.Entre tantos processos instaurados nos tribunais
europeus, há de se ressaltar o caso da morte da
menina Corinne vandeput, nascida
sem os membros superiores e o rosto deformado, que
ficou conhecido como “o inquérito da talidomida” e, tornou-se
dos mais envolventes.
Atualmente, em sua busca frenética
de corresponder aos inúmeros compromissos assumidos, existem
médicos que não se aprofundam
nas informações acerca dos novos produtos que são lançados ou não as recebem em toda a
sua amplitude; se contentando com quilos e mais quilos de
publicidade ou meras argumentações cientificas. A partir do momento
em que a produção de medicamentos deixou
de ser uma produção sanitária e transformou-se numa produção financeira, os acidentes
tendem a continuar; cada vez mais
frequentes e danosos. É preciso lembrar que, em seu início, a talidomida era um
simples tranquilizante, satisfazendo os anseios
do homem do século XX , o qual ,mesmo
com o passar dos tempos e em sua introspecção; ainda não sabe o que busca !
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