segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O REVÉS DA TALIDOMIDA

      A talidomida foi lançada em 1957, no mercado de remédios  da Alemanha,  pela firma Chemie   gruenenthal, sob a marca Contergan , considerado um calmante  inovador e receitado por muitos médicos aos pacientes que reclamavam de dor de cabeça, cansaço ou princípio de febre.  O risco do uso  inadequado se  aparentava tão reduzido,  que ela  não chegou a ser incluída  na tabela dos medicamentos  sob venda controlada. Qualquer pessoa podia comprá-la  e fazer uso sem dificuldades.  Em  novembro de  1961, após  estudos e pesquisas com inúmeros medicamentos, médicos alemães  reunidos em  Dusseldorf, relacionaram claramente a ingestão  do  Contergan  por parte de  mulheres  grávidas  com as deformações congênitas  em seus fetos. Logo  que os efeitos nocivos do produto foram divulgados, o Ministério Alemão da Saúde Pública  decretou a proibição de   sua venda  e uso , ao constatar   que milhares de crianças vieram ao mundo apresentando tais   graves deformações . Porém,  as farmácias só cessaram  as vendas da talidomida  em junho do ano seguinte;  em consequência  dos   vergonhosos  interesses financeiros  que se permeavam   em jogo.  O processo relativo às consequências  nocivas  da talidomida,foi instaurado  de imediato.  Mesmo  diante da indignação mundial, ( à perplexidade dos médicos) e da amplitude da catástrofe,  as  indústrias farmacêuticas  recusaram-se  a assumir  responsabilidades e  foram protegidas  pela  complexidade da questão médica e   pela  lentidão do processo jurídico. Na época,  o  número de vítimas  na  Alemanha, Inglaterra, Canadá, Bélgica,  Suécia, Noruega, Japão e América do Sul ,  foi estimado em mais de trinta mil nascimentos  e, entre eles, vários  natimortos. Também  foram constatadas inúmeras  Lesões cerebrais  ocorridas  em jovens e  adultos; aos quais foram ministrados a talidomida.Entre tantos processos instaurados nos tribunais europeus,  há de se ressaltar o caso da  morte da  menina  Corinne  vandeput,  nascida  sem os membros superiores e o rosto deformado,  que   ficou  conhecido como  “o inquérito da talidomida” e,  tornou-se  dos mais  envolventes.
       Atualmente, em sua busca frenética de corresponder aos inúmeros compromissos assumidos,  existem  médicos que  não  se aprofundam  nas  informações  acerca dos novos produtos  que são lançados ou não as recebem em toda a sua   amplitude;  se contentando com quilos e mais quilos de publicidade  ou meras  argumentações cientificas. A partir do momento em que a produção de medicamentos  deixou de ser uma produção sanitária e transformou-se numa produção financeira,  os acidentes  tendem a continuar; cada vez  mais frequentes e danosos. É preciso lembrar que, em seu início, a talidomida era um simples tranquilizante, satisfazendo  os  anseios  do homem do século XX ,  o qual ,mesmo  com o passar dos tempos e  em sua introspecção; ainda  não sabe o que busca !

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