Dois
homens (!) ilhados em um ringue
octogonal , numa área de luta de 55 metros quadrados, calçando luvas em seus
punhos , protetores bucal e genital e vestindo apenas calção, se preparam para
uma luta sanguinária, onde apenas um triunfará. Soa o gongo, o festival de pontapés,
joelhadas, obstruções das vias
respiratórias, sufocações , tapas nos ouvidos, guilhotina , mata-leão,
jabs e quedas; são alguns dos golpes desferidos entre eles
provocando êxtase, levando ao delírio um
público enlouquecido e incentivador da
brutalidade. Ao vencedor, os aplausos por uma vitória demoníaca; enquanto ao perdedor, caído ao tatame e
coberto de sangue, restará a ida urgente ao
hospital mais próximo, numa outra luta para poder continuar vivo. Agora,
as luzes dos holofotes se apagam e as cortinas se fecham. Em síntese, essa é a brutal realidade das
lutas marciais e, entre elas, a ULTIMATE FIGHTING CHAMPIONSHIP, ou
simplesmente, UFC ; a mais nova concepção de que o maligno animalesco continua entre nós e
ainda nos embrutece. A
modalidade é a combinação de boxe ,
jiu-jítsu, caratê, judô kickboxing; entre outros adjetivos e similares.
Tamanha monstruosidade já é transmitida pela televisão para vários países, reunindo
quase 8 milhões de pessoas,numa legião de adeptos que tende a crescer. Atualmente, o brasileiro Anderson Silva, de 36 anos de idade , altura de 1.88 metro , com 97 de peso e, possuidor
de um soco de direita com força
de 300 quilos , é o campeão mundial da modalidade.
Muitos são os traumas e as sequelas causados aos contendores, tais como , lacerações
na face, afundamento de ossos, prejuízos às vias respiratórias, rompimento dos
meniscos, lesões no nariz, ombros e
olhos e problemas cerebrais que se
desenvolverão no futuro; segundo constatações
médicas. E foi o que aconteceu com aquele que é considerado pela crítica, como o melhor e
maior lutador de todos os tempos, Muhammad
Ali (ou Classius Clay), pugilista
norte-americano, que se transformou em mito ,mas desde 1984 sofre de encefalopatia grave
(doença típica dos boxeadores) e do degenerativo mal de Parkinson.
Considerar o UFC como prática esportiva, é uma verdadeira afronta aos verdadeiros desportistas brasileiros,
quais sejam amadores ou profissionais.
Questionamos o realce que a TV, jornais e revistas de âmbito
nacional têm ofertado ao violento
espetáculo, nos parecendo , que forças ocultas
desejam consolidar tal brutalidade
entre jovens, adultos e até no meio
familiar. Não podemos, nem devemos se deixar levar pela “globalização” dos meios de
comunicação, os quais, têm tão somente
como próprias referências o nível
de audiência ou o número de leitores. Se faz mister , a proibição imediata desse
monstrengo , trasvestido de arte marcial, que nada incorpora de positivo ao conjunto da sociedade. Ou já não bastam os
estágios em termos de violência e da insegurança pública que nos atingem ?
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