segunda-feira, 10 de setembro de 2012

BESTAS HUMANAS

         Dois homens (!)  ilhados em um ringue octogonal , numa área de luta de 55 metros quadrados, calçando luvas em seus punhos , protetores bucal e genital e vestindo apenas calção, se preparam para uma  luta sanguinária,  onde  apenas um triunfará.  Soa o gongo, o festival de  pontapés,  joelhadas, obstruções das  vias respiratórias, sufocações , tapas nos ouvidos, guilhotina , mata-leão, jabs  e quedas;  são   alguns dos golpes desferidos entre eles provocando  êxtase, levando ao delírio um  público enlouquecido e incentivador da brutalidade. Ao vencedor, os aplausos por uma vitória demoníaca;  enquanto ao perdedor, caído ao tatame e coberto de sangue, restará  a  ida  urgente ao   hospital  mais próximo,  numa outra luta  para poder continuar vivo.  Agora,  as  luzes  dos holofotes se apagam e  as cortinas se fecham.  Em síntese, essa é a brutal realidade das lutas marciais e, entre elas, a ULTIMATE FIGHTING CHAMPIONSHIP, ou simplesmente,  UFC ;  a mais nova concepção  de que o maligno  animalesco   continua entre  nós  e ainda nos  embrutece.    A modalidade é  a combinação de boxe , jiu-jítsu, caratê, judô  kickboxing;  entre outros adjetivos e similares. Tamanha  monstruosidade  já é transmitida  pela televisão para vários países,  reunindo  quase 8 milhões de pessoas,numa legião de adeptos  que tende a crescer. Atualmente,  o brasileiro Anderson Silva,  de 36 anos de idade , altura de  1.88 metro , com 97 de peso  e, possuidor  de um soco de direita  com força de 300 quilos , é  o   campeão mundial da modalidade.
             Muitos são os traumas  e as sequelas  causados aos contendores, tais como , lacerações na face, afundamento de ossos, prejuízos às vias respiratórias, rompimento dos meniscos,  lesões no nariz, ombros e olhos  e problemas cerebrais que se desenvolverão no futuro;  segundo constatações médicas.  E  foi o que aconteceu com  aquele que é  considerado pela crítica, como o melhor e maior lutador de todos os tempos, Muhammad Ali  (ou Classius Clay), pugilista norte-americano, que se transformou em mito ,mas   desde 1984 sofre de encefalopatia grave (doença típica dos boxeadores) e do degenerativo  mal de Parkinson.
             Considerar o UFC  como prática esportiva, é  uma verdadeira afronta aos  verdadeiros desportistas   brasileiros, quais  sejam amadores ou profissionais. Questionamos  o realce  que a TV, jornais e revistas de âmbito nacional têm ofertado  ao violento espetáculo, nos parecendo , que forças ocultas  desejam consolidar tal brutalidade  entre jovens, adultos e  até no  meio  familiar. Não  podemos,  nem devemos se deixar  levar pela “globalização” dos meios de comunicação,  os quais, têm  tão somente  como próprias referências  o nível de audiência  ou o número  de leitores. Se faz  mister , a proibição imediata desse monstrengo , trasvestido de arte marcial, que nada incorpora de positivo  ao conjunto da sociedade. Ou já não bastam os estágios  em termos de violência e da  insegurança pública que nos atingem ?

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