segunda-feira, 10 de setembro de 2012

PRÍNCIPES E MENDIGOS

     Fatos estarrecedores são registrados diariamente nos quadrantes do nosso Amado País. Alguns deles, após todo o desenrolar, expõem-se  para  a sociedade, como peças de imaginosa ficção. Somos motivados ao encontro  do crime de trânsito acontecido em 1997, na Capital da República,   quando o filho de um Ministro, dirigindo em alta  velocidade, atropelou e matou o pedreiro Elias  Barbosa Oliveira  Junior e, em seguida, empreendeu fuga do local. Posteriormente, a juíza da 3ª Vara de Delitos de Trânsito do Distrito Federal, desqualificou a tese de crime  culposo (doloso, nem pensar) e  que não houve omissão de socorro, alegando que a vítima falecera  no  pontual instante do atropelamento. A  douta  magistrada  demonstrou poderes  de mediunidade e amparou-se em  abominável  e surpreendente jogo de raciocínio;  no qual deixou implícito que ,matar no trânsito é circunstância  atenuante. Ao réu foi  imputada a pena  de doação de cestas básicas.
        Por tal, nada nos surpreenderá,  na possibilidade  que o filme  venha a se repetir , na morte   do ajudante de caminhoneiro  Wanderson Pereira dos Santos, que pedalava uma bicicleta , sendo  atropelado e morto  pelo “playboy” Thor Batista, filho de riquíssimo empresário brasileiro.  O crime registrou-se  há alguns dias,  entre as cidades  do Rio de Janeiro e Juiz de Fora, quando o condutor dirigia à noite  um possante veículo Mercedes (tem capacidade de desenvolver  330 Km/h);  depois de  estar com amigos em um restaurante. A impunidade já se vislumbra quando as autoridades de trânsito permitiram que o automóvel fosse rapidamente retirado da cena do crime, enquanto o corpo do operário permanecia estendido no asfalto;  quando o nobre delegado responsável pelas apurações, se posicionou pela culpabilidade do morto; a despeito das testemunhas asseverarem que o atropelamento ocorreu no acostamento da estrada; quando  a Polícia de trânsito tentara inocentar o assassino, após  o teste do bafômetro realizado no posto policial mais  próximo; contrariando o que foi descoberto  pela  mídia, ou seja, da não existência de   bafômetro  no referido posto. O tresloucado matador já tinha onze multas e contava com 51 pontos negativos, razões que o impediria  legalmente  de continuar dirigindo. A amizade entre o pai de Thor, o Governador carioca e membros do Palácio do Planalto, é por demais sabida, fato que “facilitará o processo” e o veredicto que será engendrado nas alcovas. Sabe-se agora  que,  o irresponsável motorista,  há meses atrás, também atropelara um idoso e o caso   ficara sob sigilo.
        A complacência com os réus dos crimes de trânsito, se desdobra em inaceitável impunidade ,quando os direitos humanos são colocados à deriva dos ditames sociais ou  simplesmente  jogados em  putrefato  lodaçal .É...,no Brasil,  o CPF faz a diferença  e nos deixa mais desiguais  diante da lei . Triste presságio !

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