segunda-feira, 10 de setembro de 2012

AS NAÇÕES DESUNIDAS

        Nos últimos 50 anos, o povo sírio tem se moldado aos ditames de seguidos ditadores, numa obediência  passiva e obediente; porém,contida de profundo ódio. Nos idos dos anos sessenta,  o governo da Síria  tinha seu destino  regido  por  Hafez Al Assar, que por 30 anos  manteve o poder com mãos implacáveis e  culto personalístico. Desde  2012, seu filho Bashar Al Assar,  se tornou o comandante –chefe do  País, mantendo a tradição herdada. Há  quinze meses , um grito mais forte ecoou  em toda a Síria,   quando a maioria da população de Damasco, capital do País, foi às ruas, exibindo cartazes  e, exigindo  primordialmente,  o fim do estado de emergência  que vigora na Nação desde  1962,  quando estão suspensas as garantias constitucionais de cada cidadão e cidadã.  As outras aspirações  faziam referências as ações imediatas  para debelar a contundente crise econômica, o direito da liberdade de expressão do povo,  mais emprego para os jovens e adultos  e incentivos fiscais para a agricultura.               
          Em represália, o Exército sírio e milicianos ligados ao ditador, responderam com extrema violência tais manifestações, dando início a uma luta desigual entre as forças ditatoriais e a sociedade civil; motivando as primeiras mortes.  Era o começo da luta armada, por mudanças  no governo.  Logo, clamores foram ouvidos  nas cidades de Daraa, Homs  e Al-Midan,  recrudescendo  a violência e aumentando substancialmente o número de mortos e feridos. A situação se agrava com a falta de eletricidade,  água e a escassez  de alimentos. Os  informes sobre torturas, estupros  e assassinatos de mulheres e crianças  são noticiados.  Então, ocorreram os protestos  populares diante das embaixadas estrangeiras em Damasco e  a formação do  exército  sírio livre, formado por soldados desertores e civis revoltosos; daí,  a origem da guerra civil que já acontece há  mais de quinze  meses, com mais de 14 mil mortes e,aproximadamente, 100 mil prisioneiros. Durante todo o desenrolar  dos sangrentos embates, as Organizações das Nações Unidas  (ONU), se absteve de uma participação  mais efetiva , se limitando às inócuas  reuniões burocráticas  de seus membros ou o envio de observadores ; sem nada de eficaz produzir.  Apenas Kofi Annan, ex- dirigente da entidade, conseguiu mediar um cessar-fogo, em 12 de abril, mas que de imediato foi desrespeitado por ambos os lados. O atual Secretário Geral da ONU, Ban Ki Moon,  tenta cooptar a Rússia e a China, países que não apóiam  uma intervenção militar na Síria, o que predispõe,   a continuidade da carnificina  e as mortes de inocentes , no futuro que se denota por demais sombrio.               
          A Síria tem pouco mais de 23 milhões de habitantes, todos, desejosos,  mesmo que através da luta armada, de um amanhã menos infeliz;  tal como acontece no Egito, Líbia e no Iêmen. As quedas  dos ex- ditadores Hosmi Mubarak, Nuamar Kadafi e Abdulah Salen; impulsiona-os rumo a um novo tempo. Que venha a liberdade !

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