segunda-feira, 10 de setembro de 2012

MINISTÉRIO PRIVADO

         Acontecem fatos em nosso País, que com certeza, não se registram em nenhum outro lugar do mundo. De há muito, vem se noticiando  o envolvimento de um Senador da República, governadores,  prefeitos, deputados, vereadores, empresários e funcionários públicos com o bicheiro denominado  “cachoeira”; este, possuidor de imensurável  fortuna e sólidos tentáculos  na absorção  de comparsas.           Foi  instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e, após meses de reuniões, interrogatórios, acertos e combinações, o Senador ora envolvido , por infringir o decoro parlamentar (!), teve seu mandato político cassado. Mas, eis que em ato contínuo, o condenado  por comprovação de cometimento de crime, retomou sua prerrogativas como Promotor de justiça no estado de Goiás, tomando posse no  relevante cargo público.Tal anomalia, explicita tamanha comicidade,que seria trágica, se não fosse tão vergonhosa a quem tem o mínimo de discernimento. Tamanha aberração, sob o olhar complacente dos homens, só  se  concretiza  em terras tupiniquins. Lá, a desonra foi recebida com honras.    
         O Órgão  Ministério público  é avaliado positivamente pelos brasileiros, por ainda pertencer, ao  pequeno elenco das Instituições incólumes  ao negativismo que rodeia  várias siglas inoperantes . Estas, reconhecidas pelos desserviços prestados.      
         Ao Ministério Público Federal (MPF), cabe como dever de ofício: O combate ao crime organizado e à corrupção; mandado de segurança contra autoridade pública federal ou equiparada; ações contra autoridade com foro privilegiado;  o julgamento primordial de seus  próprios membros  e a fiscalização da correta aplicação da lei  nas áreas criminal, eleitoral e segurança pública;  entre outras atribuições . Assim, de  imediato,  se impõe impetrar um instrumento jurídico, quer seja  uma ação civil pública ou mandado de segurança, no objetivo de se evitar mal maior. Sabemos que cada promotor ou procurador  atua e julga de acordo com suas convicções; porém, não pode nem deve fugir do que está preconizado em Lei. A autonomia institucional e a independência funcional  não avalizam a omissão ,a cumplicidade ou o espírito de corpo (ou de porco?) , no pressuposto do “ninguém sabe, ninguém viu”, perpetrando uma situação injustificável  perante toda a sociedade.  O Valor do coletivo sobre o individual e a autopreservação, no que tange ao momento atual, também se tornam fundamentais ao deslinde da questão. Fechar-se em conchas e ignorar o que está acontecendo, poderá fazer ruir seus pilares éticos.  Ao cidadão e cidadã que se esmeram em suas ações de probidade, inquieta-os a conhecida afirmativa de que “O Brasil não é um País sério”. Se assim  for, devemos crer ,que o Ministério Público, que é público e para o povo,  também já se enlameou no lodaçal que envolve  grande parte do  sistema brasileiro. Senhores,  a transparência  se deixa atravessar pela luz !         

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