domingo, 9 de setembro de 2012

QUEM FOI ... ?


             Os números de criminosos e delinquentes presos pela polícia ou reconhecidos pela justiça, estão distantes  da criminalidade e da delinquência  reais  ora existentes .No seu todo, os delitos registrados  ficam aquém  dos  verdadeiramente cometidos  no País. Incontáveis  são os ilícitos penais  materializados  que resvalam para as estatísticas dos casos  “não investigados”.  A princípio, certas  denúncias , pela pequena gravidade ou por  indícios insuficientes, não se transformam em processos; além daqueles  nominados de “autoria desconhecida”, que  não são solucionados.
             Em muitos delitos ocorridos, por ter havido apenas pequenas  perdas materiais,  as vítimas  se omitem de denunciar ou prestar queixa, o que traduz a disposição de suportar certas ilegalidades, como que “anestesiadas” pela  avassaladora  onda  da violência  urbana. Há também, pessoas que não desejam ser convocadas a depor na delegacia, nem enfrentar  a mídia; outras  preferem  o silêncio e passam a arquitetar a possível  vingança, numa espera  sorrateira e premeditada. Porém, o  principal motivo  de tais comportamentos, é a falta de confiança na justiça.  A criminalidade do “colarinho branco”   robustece  tal desconfiança, ao termos ciência  da impunidade que  acoberta  as fraudes fiscais  e bancárias, os  desvios de vultosas quantias financeiras,  tráfico de mulheres e crianças, abortos clandestinos em luxuosos consultórios, a devastação ambiental,  o turismo sexual  e os atos de pedofilia envolvendo figurões  .
            Para a sociedade, os crimes são punidos de acordo com a classe social  do suspeito,   já que os Tribunais decidem quais ocorrências  podem ser  tituladas como crimes e quais as pessoas  que devem ser identificadas como  meliantes.   A morosidade  nos julgamentos,  estes, até com mais de uma década;  o conluio para o desaparecimento ou falsificação de provas ;  a investigação manipulada ; pressão sobre as testemunhas;  subornos  e o aproveitamento das brechas jurídicas,  gerando  impronúncias e absolvições;  não espelham  o que conhecemos pautar a força do Direito.  O perigoso de tudo isso, é que a vítima  tolerante de agora,  pode se transformar no meliante do futuro,  na certeza da própria impunidade;   o que motivará  gigantesca  e preocupante bola de neve.
         Asseveram  alguns  especialistas  que  de dez violações da lei, apenas duas têm seus   autores  conhecido e punidos;  enquanto  oito violações  permanecem  desconhecidas e impunes.  Corroboram  demais criminalistas, ao afirmarem:  “Nem todo delito cometido é tipificado; nem todo delito tipificado é registrado; nem todo delito registrado é  investigado; nem todo delito investigado é denunciado; nem sempre a denúncia termina em julgamento e o julgamento nem sempre termina em condenação”.  Assim, por  realidade tão lamentável,  se faz  mister, que em tempo a abreviar, seja retirada  a venda  que cobre os olhos da justiça !

Nenhum comentário:

Postar um comentário