Batizado
com o nome de Virgulino Ferreira da Silva, fazia parte de uma prole de nove
filhos (Antônio, Livino, Virgulino, Virtuosa, João, Angélica, Maria, Ezequiel e
Amélia), de uma família que vivia enfrentando a violência que
dominava o interior nordestino. A mãe, Maria Lopes, morre após longa caminhada
sob o sol escaldante e, o pai, José Ferreira da Silva, é trucidado por
policiais. Os três irmãos mais velhos juram vingança e, para tentar alcançar
tal objetivo, se integram ao bando de Sinhô Pereira e dão caça às famílias Nogueira e Carvalho,
inimigos de longas datas. Durante dois anos, a quadrilha realizou assaltos em
Alagoas, Pernambuco e Ceará, oportunidades
nas quais ,Lampião demonstrou extrema coragem e hábil estrategista; culminando
em ser escolhido como o novo líder. Daquele momento em diante, Lampião impôs sua própria lei no sertão e surgia o
mito do “capitão” Virgulino, esperança dos pobres e benfeitor aos olhos das massas desprotegidas e
miseráveis. Aos poucos, seu bando se distinguia, entre aqueles que fazem parte
da história do banditismo rural.
Era recebido com aplausos quando
adentrava com seus “cabras” aos povoados castigados pela seca inclemente;
ajudava aos famintos e, ao mesmo tempo, promovia chacinas e pilhagens, para se reabastecer de armas,
munições, víveres , roupas e remédios. Uma vez, foi repelido pela Polícia de
Mossoró, no Rio Grande do Norte e,
noutra, ao fugir da volante, embrenhou-se
às matas do distrito de Santa Brígida, onde conheceu Maria Bonita , uma
jovem de 19 anos, que o admirava e acompanhou-o, rumo a um estilo de vida de
aventuras. Ela se conservou fiel ao herói dos seus sonhos e Lampião lhe devotou
constante paixão. Em 1926, Livino é morto em combate e, no ano seguinte,
Antônio é vitimado por um tiro de fuzil; forçando-o a chamar Ezequiel, o seu
irmão caçula. Lampião já não possuía a visão do olho direito,que fora ferido por espinhos. Durante anos, o bando viveu no Raso da Catarina, espécie de deserto,
que as volantes temiam penetrar, por sua
grande extensão, ambiente árido e falta de água.Ao saber disso, os Governadores de Sergipe, Bahia, Alagoas e
Pernambuco, resolveram unir esforços para perseguir e aniquilar o bando. Sempre
avisado por informantes, Lampião efetuava
fugas miraculosas.
Lampião comportava-se mais como
verdadeiro fora-da-lei, do que como um revolucionário. Não sabia organizar as
populações que lhes eram favoráveis,nem estruturar uma revolta, pois,
não compreendia os problemas que
afligiam o povo nordestino. Foi um
comandante e um líder, mas incapaz de
iniciar, através das armas, uma possível transformação da realidade social
brasileira ou de imaginar o seu papel em termos de poder. Em julho de 1938, nas
grotas de Angicos, o bando do “capitão” Virgulino foi dizimado e, como epílogo
macabro, a decapitação dos cangaceiros, tendo suas cabeças colocadas em baldes
de sal e exibidas publicamente.
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