quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A LUZ DO SERTÃO

       Batizado com o nome de Virgulino Ferreira da Silva, fazia parte de uma prole de nove filhos (Antônio, Livino, Virgulino, Virtuosa, João, Angélica, Maria, Ezequiel e Amélia),  de uma família  que vivia enfrentando a violência que dominava o interior nordestino. A mãe, Maria Lopes, morre após longa caminhada sob o sol escaldante e, o pai, José Ferreira da Silva, é trucidado por policiais. Os três irmãos mais velhos juram vingança e, para tentar alcançar tal objetivo, se integram ao bando de Sinhô Pereira  e dão caça às famílias Nogueira e Carvalho, inimigos de longas datas. Durante dois anos, a quadrilha realizou assaltos em Alagoas, Pernambuco e Ceará, oportunidades  nas quais ,Lampião demonstrou extrema coragem e hábil estrategista; culminando em ser escolhido como o novo líder. Daquele momento em diante, Lampião  impôs sua própria lei no sertão e surgia o mito do “capitão” Virgulino, esperança dos pobres e benfeitor  aos olhos das massas desprotegidas e miseráveis. Aos poucos, seu bando se distinguia, entre aqueles que fazem parte da história do banditismo rural.         
       Era recebido com aplausos quando adentrava com seus “cabras” aos povoados castigados pela seca inclemente; ajudava aos famintos e, ao mesmo tempo, promovia  chacinas e  pilhagens, para se reabastecer de armas, munições, víveres , roupas e remédios. Uma vez, foi repelido pela Polícia de Mossoró, no Rio Grande do Norte  e, noutra, ao fugir da volante, embrenhou-se  às matas do distrito de Santa Brígida, onde conheceu Maria Bonita , uma jovem de 19 anos, que o admirava e acompanhou-o, rumo a um estilo de vida de aventuras. Ela se conservou fiel ao herói dos seus sonhos e Lampião lhe devotou constante paixão. Em 1926, Livino é morto em combate e, no ano seguinte, Antônio é vitimado por um tiro de fuzil; forçando-o a chamar Ezequiel, o seu irmão caçula. Lampião já não possuía a visão do olho direito,que fora  ferido por espinhos. Durante anos, o bando  viveu no Raso da Catarina, espécie de deserto, que  as volantes temiam penetrar, por sua grande extensão, ambiente árido e falta de água.Ao saber disso,  os Governadores de Sergipe, Bahia, Alagoas e Pernambuco, resolveram unir esforços para perseguir e aniquilar o bando. Sempre avisado por informantes, Lampião efetuava  fugas miraculosas.          
        Lampião comportava-se mais como verdadeiro fora-da-lei, do que como um revolucionário. Não sabia organizar as populações que lhes eram   favoráveis,nem estruturar uma revolta, pois, não compreendia  os problemas que afligiam o povo nordestino. Foi  um comandante e um líder,  mas incapaz de iniciar, através  das armas, uma  possível transformação da realidade social brasileira ou de imaginar o seu papel em termos de poder. Em julho de 1938, nas grotas de Angicos, o bando do “capitão” Virgulino foi dizimado e, como epílogo macabro, a decapitação dos cangaceiros, tendo suas cabeças colocadas em baldes de sal e exibidas publicamente.

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