segunda-feira, 10 de setembro de 2012

PAIXÃO SEM CRISTO

         Nos idos dos anos 60, quando  estudante, assistimos a uma bonita encenação  da “Paixão de Cristo” , em Nova Jerusalém, no vizinho estado de Pernambuco. Saímos maravilhados pela beleza da representação teatral  apresentada.  Os atores e atrizes, quase anônimos, eram nordestinos e, transcenderam ao simples ato de representar, pela fidelidade  com que “encarnaram” seus personagens , naqueles momentos do  forte clima  emocional que circundava a todos. Com o passar dos tempos,  modificações foram implementadas  e a  Cidade adquiriu a fama de possuir o maior teatro livre do mundo .O sucesso da “Paixão” atravessou as fronteiras nordestina  e brasileira,  se transformando em algo “made in Brazil”, em crescente fama aqui e alhures; motivando outras pessoas e  outros  interesses, nem  sempre dos mais dignos;   se fazerem presentes.  Logo, os artistas originários foram substituídos  por figuras carimbadas que gravitam  diariamente nas telas da televisão  brasileira, as quais servem de chamariz,  para o aumento  do público e das receitas financeiras de cada noite em que a peça  é encenada.  Aquele que representar  hoje o nosso  Jesus,  pode ser o Pôncio Pilatos de amanhã . Atualmente,  a produção do evento requer diretores, iluminadores, luzes, som de alta tecnologia, raios laser e efeitos  visuais ; numa  parafernália digna de  produção “hollywoodiana”. Foi a transformação do espetáculo  em algo espetaculoso.
            Nada  somos  contra a modernidade ou o progresso, porém, tal grandiosidade, tende a retirar   a  “essência” daqueles  momentos sublimes de outrora , quando até a simplicidade  do encanto  também  desaparece. Discordamos  de que Nova Jerusalém, assim  como  Judas, tenha se deixado vender pelo  “dinheiro” oriundo dos empresários  do “show business”,  interessados apenas  no lucro fácil e na manipulação dos aplausos  artificiais. Se assim continuar,  a  apresentação da “Paixão de Cristo” não  será  mais do povo, ela se transformará em balcão de negócios entre  agências de viagens, empresas de turismo, hotéis, cambistas, aproveitadores  e, até  órgãos públicos, para quem o vil metal é o seu deus.
             Resta-nos a certeza  de que Ele, em sua sabedoria  e bondade, se aperceberá ,  de que nesta  festa tão  elitizada,  não é mais o convidado de honra  e não tem  assento à mesa.
           Mesmo diante de tudo  isso,  temos a felicidade de constatar   que  a “Paixão”,embora modestamente,  já é mostrada  por jovens talentos,  em vários lugares do País. Assim também, pela religiosidade que observamos diariamente, nas faces e  nos olhos dos  que rezando sozinho  ou em grupo, em igrejas, templos  ou na intimidade do lar,  se transportam aos instantes  cruciais da vida, morte e ressurreição do nosso  Divino Pai.  Que o simbolismo  da  Semana Santa se faça presente, hoje e sempre , em cada um de nós !

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