Nos
idos dos anos 60, quando estudante,
assistimos a uma bonita encenação da
“Paixão de Cristo” , em Nova Jerusalém, no vizinho estado de Pernambuco. Saímos
maravilhados pela beleza da representação teatral apresentada. Os atores e atrizes, quase anônimos, eram
nordestinos e, transcenderam ao simples ato de representar, pela
fidelidade com que “encarnaram” seus
personagens , naqueles momentos do forte
clima emocional que circundava a todos.
Com o passar dos tempos, modificações
foram implementadas e a Cidade adquiriu a fama de possuir o maior
teatro livre do mundo .O sucesso da “Paixão” atravessou as fronteiras
nordestina e brasileira, se transformando em algo “made in Brazil”, em
crescente fama aqui e alhures; motivando outras pessoas e outros
interesses, nem sempre dos mais
dignos; se fazerem presentes. Logo, os artistas originários foram
substituídos por figuras carimbadas que
gravitam diariamente nas telas da
televisão brasileira, as quais servem de
chamariz, para o aumento do público e das receitas financeiras de cada
noite em que a peça é encenada. Aquele que representar hoje o nosso
Jesus, pode ser o Pôncio Pilatos
de amanhã . Atualmente, a produção do
evento requer diretores, iluminadores, luzes, som de alta tecnologia, raios
laser e efeitos visuais ; numa parafernália digna de produção “hollywoodiana”. Foi a transformação
do espetáculo em algo espetaculoso.
Nada somos contra a modernidade ou o progresso, porém,
tal grandiosidade, tende a retirar a “essência” daqueles momentos sublimes de outrora , quando até a
simplicidade do encanto também
desaparece. Discordamos de que
Nova Jerusalém, assim como Judas, tenha se deixado vender pelo “dinheiro” oriundo dos empresários do “show business”, interessados apenas no lucro fácil e na manipulação dos aplausos artificiais. Se assim continuar, a apresentação da “Paixão de Cristo” não será mais
do povo, ela se transformará em balcão de negócios entre agências de viagens, empresas de turismo,
hotéis, cambistas, aproveitadores e,
até órgãos públicos, para quem o vil
metal é o seu deus.
Resta-nos a certeza de que Ele, em sua sabedoria e bondade, se aperceberá , de que nesta
festa tão elitizada, não é mais o convidado de honra e não tem
assento à mesa.
Mesmo diante de tudo isso, temos a felicidade de constatar que a
“Paixão”,embora modestamente, já é
mostrada por jovens talentos, em vários lugares do País. Assim também, pela
religiosidade que observamos diariamente, nas faces e nos olhos dos que rezando sozinho ou em grupo, em igrejas, templos ou na intimidade do lar, se transportam aos instantes cruciais da vida, morte e ressurreição do
nosso Divino Pai. Que o simbolismo da
Semana Santa se faça presente, hoje e sempre , em cada um de nós !
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