Os
rituais outrora existentes entre alguns povos
ou praticados por seitas
religiosas em determinados segmentos
culturais, sempre foram considerados tabus e receberam forte reprovação
social e, entre tantos, podemos citar o que fez surgir os EUNUCOS. Eram meninos entre 8 a 14 anos de idade, que
sofriam o processo de castração dos órgãos sexuais, originando rapazes
sexualmente impotentes, de pouca força física
, voz feminina e gestos delicados , que executavam
tarefas afeitas às mulheres e escolhidos como guardiães dos haréns, vigiando
as odaliscas e concubinas dos sultões, belas mulheres que viviam reclusas. Os
eunucos serviam de elo entre o harém e o mundo exterior. Sabemos
que na puberdade, os testículos dos meninos começam a segregar a testosterona , hormônio responsável pelo desenvolvimento das
características masculinas e pelo
apetite sexual do homem. Após a cirurgia, recebiam um novo nome e outra
identidade. O surgimento dos eunucos deu-se no século XIV a.C. e se prolongou até o início do
século XX, em vários Países, tais como a
China, Coréia do Sul, Japão, Romênia e
em diversos povoados árabes.
A incipiência dos conhecimentos da medicina
para a execução de tal cirurgia ,gerava
doenças, jovens mutilados, alta taxa de suicídios e muitas mortes por
infecções; os salvos, necessitavam de
quatro meses para a cura completa. Por tradição ou costume, o pênis amputado
era cuidadosamente guardado, para que o eunuco,
quando de sua morte, fosse
sepultado “completo” ; visando o
sossego da alma.
Muitos jovens pobres também se deixavam castrar,para assim,
fugir da miséria, usufruir uma vida
melhor, receber bom salário e servir à
família real. Ao mesmo tempo, existiam casos de homens castrados como punição por crime de estupro ou aqueles prisioneiros de guerra.
Fato congênere, registrou-se no
século XVII, quando as cortes européias, principalmente
na França e Itália, que fizeram aparecer a figura dos CASTRATI, meninos possuidores de
belas vozes, que também eram castrados, no objetivo da voz não engrossar ,
permanecerem com a voz aguda durante toda a vida e, assim, pudessem representar papéis femininos ou cantar (num filete de voz feminina) nas mais famosas óperas ali encenadas.
Domenico Annibali, Farinelli e Paul Texel, são
alguns dos mais renomados castrati , que
eram verdadeiramente ovacionados após cada apresentação teatral ou de canto.
Durante muitos anos, os eunucos e os castrati foram
considerados como pessoas pertencentes
ao “ terceiro sexo”, ou seja, um ser híbrido; metade homem e metade mulher.Após
a cirurgia de castração e durante o
restante de suas vidas, eles apresentavam comportamento homossexual ou uma vivência completamente assexuada.
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