segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O VELHO CASARÃO

       Era com ostensivo orgulho que nos idos dos anos sessenta, ainda bastante jovem, tínhamos em vestir a farda do Colégio Guido de Fontgalland e, caminharmos  pelas ruas tranquilas de Maceió, com destino ao  mesmo. Íamos em busca do saber. Tempos inesquecíveis aqueles. E, tudo nos parece tão vivo em nossa tela mental. Nós, alunos, admirávamos verdadeiramente os nossos mestres; todos, credenciados por ilibada competência profissional e refinado apego ao sacerdócio de transmitir conhecimentos. Como olvidar os professores que faziam germinar a semente da prática desportiva e os valores do “corpo são, mente sã”; os que traziam as intrincadas  regras gramaticais do latim e das  línguas  portuguesa e francesa; as “viagens” aos  campos  das batalhas da História e aos mapas da geografia do Brasil; os mestres de matemática e química, a cobrirem a louça com sua fórmulas intrincadas;  as lições de inglês ensinadas com carinho nos  seus “come here”, “Sit down” e “ stand up” ; os  maviosos dó-ré-mi das   aulas de canto coral ;  as aulas de desenho e a vigilância do  chefe de disciplina , que corrigia as ações do alunato . São fatos que  ainda povoam nossos pensamentos. Tudo se transforma num capítulo  singular àqueles que só merecem elogios. Neste momento, tenho a subida honra de agradecer, em nome de todos os seus ex-discípulos, pelo legado que tão magistralmente souberam nos ofertar.     
         Aos amigos e colegas com os quais nos ombreamos nos bancos escolares do “nosso Guido” e, hoje, quando a neve do tempo já nos branqueia os cabelos, nos entristece saber dos que partiram à eternidade, em obediência aos ditames da Divindade;  nas saudades dos  dias que trilhamos juntos, em busca do “amanhã” que foi “ontem” . Mas, permanece a fraterna amizade, a qual se patenteia, quando nos encontramos  nos diferentes  caminhos que percorremos. Por fim, o agradecimento dos mais sinceros, ecoado do fundo do coração, para aquele  que foi o educador pioneiro e fundador  de um berço cultural no estado de Alagoas , o Cônego Theófanes Augusto de Araújo Barros, ou simplesmente, PADRE THEOFANES. Ele,  Religioso por vocação e humanitário inato,  sempre procurou  com que o anonimato circundasse seus atos, fato que mais o enobrecia. Inúmeros  jovens, filhos de famílias modestas,  tiveram seus sonhos realizados por esse  benfeitor, que ao lapidá-los , transformou-os em completos e dignos cidadãos e cidadãs , aliados aos sublimados méritos moral e espiritual ; na busca de uma melhor  sociedade . Um dia, quem sabe, Alagoas possa reconhecer  seus méritos .Ao Padre Theófanes, que há  11 anos nos deixou , na busca da vida perene e, hoje,  nas comemorações do centenário do seu nascimento, ainda ecoam suas palavras, ao dizer :’’Fiz do meu sacerdócio a educação e da educação a minha vida “. Que  pena ... o colégio Guido não mais existe; porém, o sol continua a iluminar, matinalmente, o
velho casarão !

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