Era
com ostensivo orgulho que nos idos dos anos sessenta, ainda bastante jovem, tínhamos
em vestir a farda do Colégio Guido de Fontgalland e, caminharmos pelas ruas tranquilas de Maceió, com destino
ao mesmo. Íamos em busca do saber.
Tempos inesquecíveis aqueles. E, tudo nos parece tão vivo em nossa tela mental.
Nós, alunos, admirávamos verdadeiramente os nossos mestres; todos, credenciados
por ilibada competência profissional e refinado apego ao sacerdócio de
transmitir conhecimentos. Como olvidar os professores que faziam germinar a
semente da prática desportiva e os valores do “corpo são, mente sã”; os que traziam
as intrincadas regras gramaticais do
latim e das línguas portuguesa e francesa; as “viagens” aos campos das batalhas da História e aos mapas da
geografia do Brasil; os mestres de matemática e química, a cobrirem a louça com
sua fórmulas intrincadas; as lições de
inglês ensinadas com carinho nos seus
“come here”, “Sit down” e “ stand up” ; os maviosos dó-ré-mi das aulas
de canto coral ; as aulas de desenho e a
vigilância do chefe de disciplina , que
corrigia as ações do alunato . São fatos que ainda povoam nossos pensamentos. Tudo se
transforma num capítulo singular àqueles
que só merecem elogios. Neste momento, tenho a subida honra de agradecer, em
nome de todos os seus ex-discípulos, pelo legado que tão magistralmente
souberam nos ofertar.
Aos amigos e colegas com os
quais nos ombreamos nos bancos escolares do “nosso Guido” e, hoje, quando a
neve do tempo já nos branqueia os cabelos, nos entristece saber dos que partiram
à eternidade, em obediência aos ditames da Divindade; nas saudades dos dias que trilhamos juntos, em busca do
“amanhã” que foi “ontem” . Mas, permanece a fraterna amizade, a qual se
patenteia, quando nos encontramos nos
diferentes caminhos que percorremos. Por
fim, o agradecimento dos mais sinceros, ecoado do fundo do coração, para
aquele que foi o educador pioneiro e fundador de um berço cultural no estado de Alagoas , o
Cônego Theófanes Augusto de Araújo Barros, ou simplesmente, PADRE THEOFANES.
Ele, Religioso por vocação e humanitário
inato, sempre procurou com que o anonimato circundasse seus atos,
fato que mais o enobrecia. Inúmeros jovens,
filhos de famílias modestas, tiveram
seus sonhos realizados por esse benfeitor, que ao lapidá-los , transformou-os
em completos e dignos cidadãos e cidadãs , aliados aos sublimados méritos moral
e espiritual ; na busca de uma melhor sociedade . Um dia, quem sabe, Alagoas possa
reconhecer seus méritos .Ao Padre
Theófanes, que há 11 anos nos deixou ,
na busca da vida perene e, hoje, nas
comemorações do centenário do seu nascimento, ainda ecoam suas palavras, ao
dizer :’’Fiz do meu sacerdócio a educação e da educação a minha vida “. Que pena ... o colégio Guido não mais existe; porém,
o sol continua a iluminar, matinalmente, o
velho casarão !
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