segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O JÚBILO E A FANTASIA


       Sinceramente, não compreendemos o entusiasmo com que os súditos do Reino Unido comemoraram os quatro dias alusivos às festividades do “Jubileu de diamante” da Rainha Elisabeth II.  Ela, atualmente, com 86 anos de idade e 60 anos como monarca da Inglaterra.  Nos parece, que tal reinado, se atém a uma tradição arcaica, de caráter medieval, o qual   se encontra  estranhamente inserido  dentro do  contexto  desse  início do século XXI. Imaginamos que  alguns países  ainda vivem  nos dias do  “Era uma vez  uma princesa ...”, sem  perceberem que  a  modernidade não mais comporta essas ingenuidades . Para ser rainha, se faz mister apenas possuir a linhagem da realeza; não necessita de votos ( tal qual os nossos  senadores biônicos) e, tanto lá ,como cá, gastarem fortuna, sem nada produzirem de proveitoso para os seus concidadãos ou para  a sociedade como um todo.      As  referidas festividades  englobaram passeio de mil embarcações sobre o rio Tâmisa; corridas de cavalos com participantes dos mais famosos;  chás  em jardins para oito mil convidados; salvas de tiros no Hyde park e outras localidades; almoços para  centenas de celebridades ; shows  diversos  e simultâneos e demais apresentações esportivas. Uma nova estátua da rainha no museu de Londres  e  a torre do relógio  big-ben  que será rebatizada com o nome de Elizabeth II, também fazem parte das homenagens.  E, pasmem, festas nas ruas, pois não é qualquer um que tem o privilégio de adentrar aos perfumados recantos do palácio de Buckingham.   
       Porém, nem tudo e nem  todos os acontecimentos são flores.  Várias vozes ecoaram  em críticas contundentes, contra a “vida de luxo e ostentação “ da rainha e seus familiares; mas que foram  ignoradas pela mídia internacional, esta,  sempre ávida por futilidades sociais. Sabemos que  hoje, a  Europa vive uma fase  de  incertezas  políticas e econômicas,  sem soluções aparentes  e que se prolongam , de modo preocupante, envolvendo  países  como Portugal, Espanha, Grécia, França, Itália e a própria  Inglaterra.  O que nos assusta, são os possíveis  desdobramentos dessa  crise nas Américas e  em outras nações; fato que motivaria um malogro mundial. E, sabemos, que o mundo atual é formado por elos que se interligam  e,  a fragilidade apresentada por um deles, ocasionará a ruptura da corrente.  Por isso, a  dona do trono inglês  ou quaisquer  mandatários, não  devem se imaginar ausentes dos acontecimentos  vexatórios que rondam  os cinco continentes, onde a turbulência  financeira , há algum tempo,  entrou em espiral descendente.  Fugir desta realidade, é continuar  nas  fantasias dos cavalos alados, fada madrinha  com varinha mágica, madrasta invejosa, bruxa com verruga no nariz;  à espera que o herói ,com capa e espada ,venha beijar  e salvar a indefesa  donzela.
            Entrementes, enquanto os cães ladram, as carruagens  passam !             

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